A subida das taxas de juro no mercado monetário está, finalmente, a levar os bancos a rever a taxa de remuneração dos depósitos. Em novembro, a taxa de juro média dos novos depósitos até um ano para particulares era de 0,35%, mais 11 pontos base que os 0,24% registados em outubro e apenas 34 pontos base face a julho – desde essa altura, o Banco Central Europeu aumentou em 200 pontos base a taxa de juro de facilidade permanente de depósito.

Segundo o Banco de Portugal, desde dezembro de 2016 que os bancos nunca pagaram tão bem pelas poupanças dos pequenos aforradores.

Porém, é uma “generosidade” que fica muito aquém da remuneração que as famílias conseguem obter em produtos igualmente de baixo risco, como é o caso dos Certificados de Aforro, que este mês para novas subscrições estão a pagar 3,088%, cerca de dez vezes mais que os depósitos.

Mesmo recuando até novembro, quando os Certificados de Aforro estavam a pagar 2,49%, a taxa de juro destes títulos de dívida da República era oito vezes superior à taxa de juro dos depósitos.

Também em comparação com a banca europeia, os bancos portugueses continuam a revelar-se menos generosos que os seus pares. Segundo dados do Banco de Portugal, a taxa de juro média dos depósitos praticados pelos bancos da Zona Euro em novembro cifrou-se em 1,12%, cerca de 3,6 vezes mais do que é oferecido pelos bancos portugueses.

A baixa taxa de juro dos depósitos é também notória quando comparada com as taxa de juro dos títulos de dívida de curto prazo da República. Atualmente, os Bilhetes do Tesouro a 3, 6 e 12 meses estão a negociar no mercado com taxas de 1,42%, 1,73% e 2,45%, respetivamente.

Mas apesar das baixas taxas de juro dos depósitos, os bancos continuam a recolher recursos dos pequenos aforradores. Em novembro, o montante de novos depósitos a prazo de particulares foi de 4871 milhões de euros, 3% acima do valor registado em outubro e mais 39% do que em novembro de 2021.

ECO - Parceiro CNN Portugal / Luís Leitão