Dezenas de migrantes que entraram em Ceuta conseguiram chegar à Europa continental - TVI

Dezenas de migrantes que entraram em Ceuta conseguiram chegar à Europa continental

  • CNN Portugal
  • 18 ago, 11:32
Migrantes marroquinos Ceuta exclave Espanha (Bernat Armangue/AP)

Redes criminosas estarão a lucrar com a travessia em “barcos-táxi” ou motos de água. Em Ceuta, debate-se ainda outra questão: estará o surto de sarna entre militares relacionado com a crise migratória?

Dezenas de migrantes da invasão em massa a Ceuta conseguiram chegar ao continente espanhol, noticia o jornal ABC.

A publicação, que cita fontes policiais, dá conta que as forças de segurança detetaram “barcos-táxi” a transportar migrantes para as praias da região de Campo de Gibraltar.

O ABC dá conta que várias organizações criminosas estão a lucrar com este transporte em “barcos-táxi” ou em motas de água.

Estima-se que cerca de 72 mil migrantes fizeram a travessia para Ceuta no final de julho.

Apesar de a maioria ter regressado a Marrocos, as primeiras horas, ainda antes da confusão, terão sido determinantes para alcançar o principal objetivo de chegar a Espanha continental.

As autoridades estão a investigar se as embarcações – algumas roubadas – partem de águas próximas de Ceuta. Há também registos de saídas do porto de Castillejos.

O ABC fala em mais de uma dezena de embarcações a chegar a Algeciras nos últimos dias. Tarifa, Sotogrande e Puente Mayorga são as zonas com mais desembarques.

A maioria dos que conseguiram chegar a território continental espanhol são marroquinos, embora também haja migrantes vindos da África subsariana. Uma vez intercetados, acabam no Centro de Detenção de Estrangeiros em Algeciras - com capacidade para 500 detidos, mas atualmente com 70 reclusos, com 7 a 10 polícias de serviço, o que tem originado queixas dos sindicatos.

Há também casos que acabam em liberdade, sobrevivendo com trabalhos precários em Múrcia ou Almería.

Soldados com sarna. Outro efeito da crise migratória?

A crise migratória em Ceuta começa a ter consequências também na área da saúde. São já pelo menos 30 os soldados afetados por um surto de sarna.

À imprensa espanhola, o ministério da Defesa confirma a existência de cerca de uma dezena de casos, embora esclareça que os casos não estão necessariamente relacionados com a crise migratória.

As organizações do setor consideram essencial que se saiba o número exato de infeções, bem como se há vínculo epidemiológico entre as infeções e a invasão em massa de Ceuta.

Já fontes do serviço de Medicina Preventiva e Saúde Pública do Hospital Universitário de Ceuta afirmam "não ter registo" do surto de sarna reportado pelos militares.

O serviço confirma cerca de cinco casos detetados há dias entre migrantes chegados a Ceuta.

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