Champions: Shakhtar-FC Porto, 1-3 (crónica) - TVI

Champions: Shakhtar-FC Porto, 1-3 (crónica)

Uma noitada de Galeno resolve qualquer crise matrimonial

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Não foi uma noite de gala. Foi, isso sim, uma noitada de Galeno!

O brasileiro bisou, assistiu e o FC Porto fez antes da meia-hora de jogo o 3-1 com que venceu o Shakhtar, a jogar em casa emprestada, em Hamburgo, na estreia na edição 2023/24 da Liga dos Campeões.

Para começo de conversa, sem Marcano lesionado, Conceição abdicou dos três centrais e apostou num 4-4-2, com Iván Jaime lá na frente no apoio a Taremi. Esse sistema híbrido, que tanto se transformava num 4-2-3-1 a defender como num 4-2-4 no ataque, deu finalmente boa resposta.

O espanhol fez a sua estreia na Liga dos Campeões, tal como outro reforço: o argentino Alan Varela. Mas a noite foi de Galeno, que aos 8m já abria o marcador numa recarga após remate de André Franco.

O Shakhtar não demorou a responder pela cabeça de Kelsy, aos 12m, com o venezuelano a subir mais alto do que Pepe. Galeno, porém, estava lá, pronto para brilhar na Alemanha (tal como na época passada contra o Leverkusen), e ao quarto de hora de jogo aproveitou um brinde da defesa ucraniana para bisar.

Depois de receber um presente do adversário, o extremo luso-brasileiro decidiu também ele fazer uma oferta: arrancou pela esquerda e assistiu Taremi, que de primeira fez o 3-1 aos 29 minutos.

O FC Porto fez os melhores 45 minutos da época e, ao intervalo, apesar do equilíbrio no marcador (50-50) tinha mais do quádruplo dos remates do adversário (9-2) – diferença que se esbateu no final do jogo (13-9).

«Acho que este sétimo ano é como os casamentos. Há a crise do sétimo ano, é o que se costuma dizer, não é? É que por este início de época dá a entender que há muita gente a tentar fazer confusão, a criar um bocadinho de instabilidade, porque as pessoas se conhecem muito bem umas às outras», disse Sérgio Conceição na antevisão do jogo.

E, na verdade, este FC Porto não pareceu aquela equipa insegura, com uma relação instável com a bola, à beira de um ataque de nervos.

Esta noite, não houve discussão: o FC Porto convenceu primeiro e controlou depois.

Não que os segundos 45 minutos tenham sido um passeio. Zubkov, o mais perigoso dos ucranianos, testou uma e outra vez a atenção de Diogo Costa. Além da troca de Zaidu (lesionado) por Wendell ao intervalo, o segundo tempo serviu ainda para estrear três reforços na Champions: Nico González, Jorge Sánchez (estreia absoluta para o lugar de João Mário, que saiu também com queixas físicas) e Francisco Conceição foram a jogo.

Do lado contrário, o FC Porto encontrou um adversário incapaz de lhe fazer frente.

Na verdade, não há como comparar uma equipa a cogitar analogias de crise matrimonial com outra que vive a realidade e as duras consequências de um conflito bélico.

Desde 2014 com a casa às costas, devido ao conflito no Donbass, que obrigou a equipa a sair de Donetsk, o Shakhtar, que já se baseou em Lviv, Kharkiv, Kiev ou Varsóvia, tem agora a sua casa na Champions em Hamburgo.

Sob qualquer perspetiva, a guerra é mais dramática. Em todo o caso, Conceição desta vez bem pode optar pelo modo paz e amor.

«Depois, quando há uma paixão e um amor grande, esse sétimo ano é superado e é uma vida inteira…», bem alertou de véspera o treinador portista.

E assim entrou o dragão com o pé direito na 26.ª participação na Liga dos Campeões. E com os três pontos para a tabela – tal como o Barcelona, que goleou o Antuérpia no outro jogo do grupo –entraram também para os cofres 2,8 milhões de euros.

Crise matrimonial? Qual crise?

Não há como uma noitada destas de Galeno para resolver qualquer arrufo. 

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