Coimbra prepara-se para "cheia centenária" e para retirar 9.000 pessoas das zonas urbanas - TVI

Coimbra prepara-se para "cheia centenária" e para retirar 9.000 pessoas das zonas urbanas

  • Agência Lusa
  • CM
  • 12 fev, 21:52
Cheias em Coimbra (LUSA)

Uma cheia centenária é uma cheia que tem uma em 100 hipóteses de acontecer num ano (e não uma cheia em 100 anos)

A presidente da Câmara de Coimbra afirmou esta quinta-feira que há a possibilidade de, na manhã de sexta-feira, ocorrer uma cheia centenária na bacia do Mondego, que poderá impactar a Baixa da cidade.

“Depois de uma reunião com a APA [Agência Portuguesa do Ambiente] e com a Autoridade Nacional da Proteção Civil, teme-se a possibilidade de uma cheia centenária em Coimbra”, disse Ana Abrunhosa, numa conferência de imprensa realizada hoje na Casa Municipal da Proteção Civil.

Uma cheia centenária é uma cheia que tem uma em 100 hipóteses de acontecer num ano, e não uma cheia em 100 anos como o nome pode indicar.

De acordo com a autarca, prevê-se um pico de cheia entre as 08:00 e as 09:00, com novo pico às 15:00, havendo o risco de inundações na Baixa e noutros pontos do centro urbano do concelho.

“Está a chover muito nas regiões que canalizam a água para a [barragem] da Aguieira. O caudal do rio Ceira está a aumentar e nós, no açude-ponte [em Coimbra], a linha vermelha são os 2.000 [metros cúbicos por segundo]. Há a probabilidade de atingirmos 2.500 a 3.000 [metros cúbicos por segundo] e, quando se atingirem esses valores, vamos ter água que começa a recuar e a espraiar”, atingindo a zona urbana do concelho.

Segundo Ana Abrunhosa, além do caudal do Mondego subir, haverá também uma subida das várias ribeiras do concelho e, face aos dias anteriores, as inundações que até agora só afetavam a zona rural do concelho poderão vir a acontecer “na parte urbana”.

“As pessoas devem, se possível, ficar em casa, e evitar deslocações necessárias”, salientou.

A presidente da Câmara de Coimbra dirigiu também uma “palavra de grande solidariedade aos municípios de Montemor-o-Velho e Soure”, que “serão muito afetados”, caso o cenário de cheia centenária se confirme.

A cheia centenária é “um momento completamente diferente daquele que ontem [quarta-feira] tínhamos como cenário”, notou, apelando às pessoas para adotarem comportamentos preventivos e seguirem as instruções das autoridades.

“A barragem da Agueira atingiu o seu limite. Não tem capacidade. As pessoas devem proteger os seus bens, os seus animais, saberem para onde se podem dirigir caso não tenham familiares com quem ficar e nós procuraremos, dentro do que é um grande transtorno, dar todas as condições”, acrescentou.

Ana Abrunhosa realçou ainda que todas as instituições do concelho estão a trabalhar em cooperação, tendo também no terreno o apoio do Exército.

“Com toda a tranquilidade, nós estamos aqui a transmitir esta mensagem, mas há uma coisa que ninguém nos perdoaria, era que não disséssemos a verdade. E o que estamos aqui a dizer às pessoas é a verdade”, disse.

Retirada de 9.000 pessoas em equação

Face às previsões, a Câmara de Coimbra está a preparar-se para ter de retirar mais nove mil pessoas, sobretudo na zona urbana, já depois de ter anunciado retiradas preventivas de cerca de 3.500 pessoas em zonas mais rurais do concelho.

Segundo a autarca, caso o cenário de cheia centenária se confirme na manhã de sexta-feira, será necessário retirar pessoas de zonas urbanas como é o caso da Baixa e do Rossio de Santa Clara.

Já esta noite, o município irá começar a retirada preventiva de pessoas acamadas e sem-abrigo que estejam nas zonas que estão potencialmente em risco, acrescentou.

“A nossa preocupação esta noite vai ser retirar pessoas acamadas […] e com especial preocupação com pessoas que vivem na rua. […] Vamos transportá-las para locais adequados, para outros lares ou unidades de cuidados continuados”, esclareceu.

Na sexta-feira, entre as 08:00 e as 09:00, há “uma grande probabilidade” de as equipas das juntas e outras autoridades começarem a pedir às pessoas para saírem das suas casas, acrescentou, caso se confirme o cenário de cheia centenária.

As zonas que serão potencialmente afetadas pela cheia em Coimbra são: zona ribeirinha de Torres do Mondego, Ceira, Conraria, Portela do Mondego, Quinta da Portela, Rossio de Santa Clara (e toda a cota baixa da freguesia), Baixa de Coimbra e zonas das ribeiras de Coselhas, Eiras, Fornos, Covões e Casais.

A presidente da Câmara de Coimbra indicou ainda que, caso se confirme o cenário de cheia centenária, na manhã de sexta-feira, as autoridades irão monitorizar as condições de circulação nas pontes de Santa Clara e viaduto do Itinerário Complementar 2 (IC2), que poderão ter de ser encerrados ao trânsito, caso se atinja um caudal demasiado elevado no açude-ponte que ponha em causa a segurança das infraestruturas.

Este cenário poderá também implicar inundações na estação ferroviária de Coimbra-B e Casa do Sal e na Estrada Nacional 111, apelando-se às pessoas para terem especial cuidado com carros em parques de estacionamento e garagens.

A autarca apelou às pessoas para seguirem as indicações das juntas de freguesia e estarem atentas às comunicações da Proteção Civil.

“Nós vamos comunicando, a Proteção Civil mandará mensagens por telemóvel e vamos adaptando as mensagens e as restrições à medida que a situação evolua”, disse.

“Estamos a agir por precaução, porque até agora nós temos zero vítimas e o nosso objetivo é continuar apenas e só com danos materiais”, salientou.

Escolas encerradas

Todas as escolas do concelho de Coimbra vão estar encerradas na sexta-feira, anunciou ainda a presidente da Câmara.

“Amanhã [sexta-feira] não haverá aulas. O nosso diretor de educação já comunicou. Ninguém entenderia o risco de trazer os filhos às escolas”, disse Ana Abrunhosa, apelando às empresas que, se possível, possam adotar um sistema de teletrabalho.

Numa informação enviada a todos os encarregados de educação, pode também ler-se que “na sequência da informação atualizada emitida pelos Serviços Municipais de Proteção Civil e face às previsões de agravamento das condições meteorológicas, com ocorrência de cheias, inundações e risco de derrocadas, informa-se que, por razões de prevenção e salvaguarda da segurança da população, foi determinado o encerramento de todos os estabelecimentos de educação e ensino do concelho”.

Na informação enviada aos encarregados de educação explica-se que “permanecerão encerradas todas as instituições educativas, desde as creches ao ensino superior, abrangendo estabelecimentos da rede pública, privada e solidária”.

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