Executado casal chinês que atirou duas crianças (tinham um e dois anos) de um arranha-céus - TVI

Executado casal chinês que atirou duas crianças (tinham um e dois anos) de um arranha-céus

  • CNN
  • Nectar Gan
  • 1 fev, 17:47
China

Eram namorado e namorada. Ele tinha dois filhos de outra relação. Ela queria uma família do zero

China executa casal por assassínio de crianças que chocou a nação

por Nectar Gan, CNN


A China executou um casal por ter atirado duas crianças pela janela de um apartamento num arranha-céus, num caso que provocou indignação a nível nacional.

O homem e a namorada foram considerados culpados de matar os filhos do primeiro casamento do homem, encenando uma queda acidental de uma torre residencial na metrópole de Chongqing, no sudoeste do país, para poderem constituir uma nova família.

O pai, Zhang Bo, começou a ter um caso com Ye Chengchen e inicialmente escondeu o facto de ser casado e ter filhos, mas Ye descobriu e Zhang divorciou-se da mulher, segundo o Supremo Tribunal da China.

Ye via os dois filhos de Zhang como um "obstáculo" ao seu casamento e um "fardo para a sua vida futura em conjunto", segundo o tribunal. Insistiu repetidamente com Zhang para que matasse as crianças e ameaçou separar-se dele se ele não o fizesse.

Depois de conspirar com Ye, em novembro de 2020, Zhang atirou a filha de dois anos e o filho de um ano do seu apartamento no 15.º andar quando brincavam junto à janela do quarto, matando-os a ambos, segundo o tribunal.

Zhang e Ye foram condenados à morte em dezembro de 2021.

O Supremo Tribunal Popular afirmou que o crime do casal "desafiava seriamente os limites legais e morais", considerando o motivo do crime "extremamente desprezível" e os meios "particularmente cruéis", segundo a agência noticiosa estatal Xinhua.

A notícia da execução do casal atraiu centenas de milhões de visualizações no Weibo, a rede social chinesa, onde se tornou um dos principais assuntos do momento.

"Mereceram o castigo", dizia um comentário com 27.000 gostos.

"Que grande satisfação!", diz outro comentário com 31.000 gostos.

Um estudo publicado em 2020 revela que 68% dos cidadãos chineses são a favor da pena de morte.

John Zhuang Liu, professor de direito da Universidade de Hong Kong e autor do estudo, disse à CNN na quinta-feira que as opiniões online podem não refletir com precisão a opinião pública da China.

O seu estudo mostra que os chineses que expressam opiniões políticas online tendem a mostrar um maior apoio à pena de morte.

"Não temos um conhecimento claro das opiniões do público em geral sobre a pena de morte na China e não dispomos de um canal de recolha de dados rigoroso", afirmou.

O documento de 2020 baseou-se nos últimos dados disponíveis a nível nacional, recolhidos em 2013.

"Não sabemos se a opinião pública se alterou desde então", acrescentou.

A China não fornece informações transparentes sobre o número total de execuções, mas acredita-se que o país seja "o maior carrasco do mundo", com milhares de pessoas executadas e condenadas à morte todos os anos, de acordo com o grupo de direitos humanos Amnistia Internacional.

A execução de quarta-feira pôs também em evidência o principal método utilizado na China para aplicar a pena de morte: a injeção letal.

"É basicamente a eutanásia. Foi fácil para eles", dizia um comentário no Weibo com 20.000 gostos.

Alguns chamaram a atenção para a recente execução do recluso do Alabama Kenneth Smith, morto com com gás nitrogénio, um novo método que, segundo os especialistas, pode provocar dor excessiva ou mesmo tortura.

A execução foi saudada por alguns utilizadores das redes sociais chinesas como um castigo adequado a crimes mais graves.

"Porque é que eu acho que a execução de 22 minutos é muito adequada para aqueles que matam maliciosamente as suas mulheres, pais, filhos e assassinos em série?"
 

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