A China só comunicou a morte de menos de seis mil pessoas desde que a covid-19 foi detetada no país. Um número bem abaixo da maioria dos países, e que estará também muito abaixo do real. É que, segundo especialistas a empresa de base de dados de saúde Airfinity, o número de mortes estará, atualmente, nas nove mil por dia.

A empresa britânica duplica os valores avançados há uma semana, estimando mesmo que o número de mortes diárias pode chegar aos 25 mil a 23 de janeiro.

Isto apenas algumas semanas após a reversão da política “covid zero”, com a China a levantar as restrições que estiveram em vigor por quase três anos. Apesar do levantamento das medidas, o ministério chinês da Saúde confirmou apenas dez mortes desde 7 de dezembro, num total que era, até à última quarta-feira, de cerca de 5.300 vítimas. Para a Airfinity o número real será muito maior, uma vez que aquela base de dados aponta 100 mil mortes só neste mês de dezembro, que terá tido 18,6 milhões de casos, sendo que a previsão até ao fim de janeiro aponta 584 mil mortes apenas nesses dois meses.

As contas da empresa são feitas com base num modelo que utiliza dados das províncias chinesas ainda antes da mudança na comunicação dos casos. Se o pico de mortes se prevê para 23 de janeiro, a Airfinity estima que a 13 de janeiro, com 3,7 milhões de casos só nesse dia, será atingido o pico de infeções.

A situação é de tal forma grave que vários hospitais estão sem camas, enquanto alguns crematórios começam a ficar sem espaço para os corpos.

Tudo isto está a levar vários países a anunciarem novas medidas. Itália, Espanha ou Estados Unidos já divulgaram que vão passar a colocar restrições à chegada de cidadãos vindos da China, com receio de que os vários surtos em solo chinês possam originar o aparecimento de uma nova e mais perigosa variante.

É por isso que o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos está a ponderar fazer análises às águas residuais dos aviões que passem pela China para procurar por eventuais novas variantes da covid-19.

Para já Portugal segue a posição da União Europeia, optando por não mudar as medidas atualmente em vigor.

António Guimarães