Mais de 250 mil pessoas entraram pelas fronteiras chinesas no domingo, dia em que a China levantou a quarentena obrigatória para viajantes do estrangeiro, pondo fim a três anos de isolamento autoimposto.

Segundo dados da Administração Geral das Alfândegas chinesa, citados pelo jornal oficial China Daily, o gigante asiático registou um total de 251.045 entradas no país provenientes de outros países e territórios.

O valor está ainda muito longe da média de cerca de 945.300 entradas diárias no país registadas no primeiro trimestre de 2019, segundo dados da Administração Geral das Alfândegas, citados pela Bloomberg.

Quase 400 navios, 325 voos, 6.323 camiões e 83 comboios chegaram à China no domingo.

Após cerca de três anos com algumas das restrições mais severas do mundo, que prejudicaram a sua economia e acabaram por desencadear protestos a nível nacional, as autoridades chinesas decidiram, no final de dezembro, abolir abruptamente a maior parte das medidas de controlo da pandemia provocada pelo vírus SARS-CoV-2.

O último passo do levantamento das restrições aconteceu no domingo, com o fim das quarentenas obrigatórias em hotéis designados para todas as pessoas que chegavam ao país desde março de 2020.

Inicialmente de três semanas, a duração desta quarentena já tinha sido reduzida para uma semana no verão de 2022, passando depois para cinco dias em novembro.

O anúncio do fim da chamada política “covid zero” e da quarentena obrigatória levou os chineses a fazerem planos para viajar para o estrangeiro, com um aumento exponencial do tráfego nos ‘sites’ de reservas, avançou a agência France-Presse.

Na sequência desta decisão chinesa de abrir as suas fronteiras, mais de uma dezena de países, entre os quais Portugal, passaram a exigir aos viajantes oriundos daquele país um teste negativo à covid-19.

A China está a enfrentar uma onda sem precedentes de infeções pelo SARS-CoV-2.

Em Henan, a terceira província mais populosa da China, 89% da população foi infetada com o novo coronavírus, até 06 de janeiro, disse Kan Quancheng, funcionário da autoridade de saúde local. Esta percentagem representa cerca de 88,5 milhões de pessoas.

As autoridades esperam uma nova onda de casos durante o Ano Novo Lunar, que calha este ano a 22 de janeiro. Este período, a principal festa das famílias chinesas, é a maior migração anual do planeta, à medida que milhões de chineses retornam às suas terras natais.

Segundo a agência noticiosa oficial Xinhua, no total, foram realizadas 34,7 milhões de viagens no sábado, o primeiro dia da temporada de viagens por ocasião do Ano Novo Lunar, o que representa um aumento de 38,2% em relação ao mesmo dia de 2022.

/ BC