O governo chinês criticou esta terça-feira as medidas aplicadas por alguns países aos passageiros que viajam a partir da China por causa da covid-19.

"Acreditamos que as restrições de entrada adotadas por alguns países que visam a China carecem de base científica, e algumas práticas excessivas são ainda mais inaceitáveis", afirmou a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Mao Ning, citada pela Associated Press.

"Opomo-nos firmemente às tentativas de manipulação das medidas covid para fins políticos e tomaremos contramedidas com base no princípio da reciprocidade", completou.

Esta foi a primeira reação de Pequim à crescente lista de países que têm imposto medidas de contenção da propagação da covid-19 aos viajantes do país, uma reação ao aumento dos casos do vírus na China após o levantamento da política “covid-zero” adotada pelo Partido Comunista Chinês.

Até agora, Estados Unidos, Índia, Austrália, Canadá, Reino Unido, Coreia do Sul, Israel, Malásia, Taiwan, Marrocos e Catar impuseram medidas de contenção.

Na União Europeia, Itália foi o primeiro país a apertar as restrições, passando a obrigar a apresentação de um teste antigénio negativo. Espanha requisitou uma medida semelhante, podendo também ser apresentado um certificado de vacinação.

A partir desta quarta-feira, também os passageiros oriundos da China e com destino a França vão necessitar de fazer um teste 48 horas antes da partida e ainda outro à chegada. "Estamos a fazer o nosso papel, o meu governo está a fazer o seu papel, que é proteger os franceses", afirmou a primeira-ministra francesa, Élisabeth Borne, à rádio France Info.

Para já, Portugal ainda não impôs qualquer medida. Fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros garantiu à CNN Portugal não haver qualquer desenvolvimento desde as declarações do ministro da Saúde, Manuel Pizarro, na sexta-feira. “Os Ministérios da Saúde, da Administração Interna e dos Negócios Estrangeiros estão a preparar a adoção, nos aeroportos, de medidas de controlo dos passageiros oriundos da China, que serão implementadas se e quando se revelarem necessárias”, disse então o governante, a 30 de dezembro, à agência Lusa.

A União Europeia ainda não tomou uma decisão comum, mas, de acordo com a Euronews, a Comissária Europeia para a Saúde, Stella Kyriakides, sugeriu aumentar imediatamente a sequenciação do vírus em novas infeções e a monitorização das águas, incluindo nos aeroportos, de modo a poder a detetar qualquer potencial nova variante oriunda da China.

Pedro Falardo