A empresa de bebidas alcoólicas japonesa Asahi Group está em suspenso desde segunda-feira, depois de um ciberataque ter provocado uma falha no sistema e comprometido a produção de uma das cervejas mais populares do mercado - a Super Dry. O ataque de ransomware também fez parar o processamento de encomendas, a expedição e outras funções do centro de atendimento.
Esta sexta-feira assinala o quinto dia do ataque, que não parece ter solução à vista. À medida que o tempo passa, os stocks dos supermercados, restaurantes e bares no Japão começam a acusar a falta de bebidas produzidas pela cervejeira e alguns estabelecimentos izakaya (bar típico japonês que serve bebidas alcoólicas) começam a ponderar inclusivamente mudar de fornecedor, adiantou o The Guardian.
De acordo com um relatório consultado pelo Financial Times, o inventário de Super Dry pode mesmo esgotar em dois ou três dias perante o encerramento da maioria das fábricas da Asahi.
Este ponto de situação terá obrigado a empresa a arranjar soluções. Na quarta-feira, as encomendas começaram a ser processadas depois de os clientes terem sido visitados pela entidade e emitido o seu pedido, que foi registado à mão. Esta sexta-feira já foi enviado o primeiro lote de pedidos preenchidos à mão.
Com o sistema de encomendas e entregas desativado, a empresa viu-se obrigada a adiar indefinidamente o lançamento de novos produtos, onde se incluíam refrigerantes e barras de proteínas, que estava previsto para este mês.
A produtora está a trabalhar com especialistas externos para restaurar o sistema informático, mas continua sem data prevista para o regresso à atividade. O centro de atendimento ao cliente poderá ser a única exceção, já que a empresa confirmou que planeia retomar as operações para tratar de chamadas na próxima semana.
“Não há recuperação imediata do nosso sistema à vista no momento”, relatou um porta-voz, que preferiu não ser identificado, à agência France-Presse.
Em Tóquio, um restaurante onde a cerveja da marca Asahi é consumida assiduamente anunciou que chegou ao seu último barril de Super Dry.
Tomiko Yano, chefe do restaurante Kushiyaki Tosaka, considerou a situação “problemática”. “Somos especializados em yakitori (frango grelhado no espeto) e combina muito bem com a Super Dry. Muitos clientes dizem isso, por isso estou um pouco preocupada”, acrescentou.
Um porta-voz da Seven & I Holdings, uma loja de conveniência japonesa, que opera a 7-Eleven, afirmou que vai colocar avisos a informar os clientes sobre a suspensão das expedições, apesar de o incidente ainda não ter causado “grandes perturbações”.
O ataque à Asahi, que também é conhecida pela produção do uísque Nikka, ocorreu durante uma série de ataques cibernéticos e de ransomware que têm afetado outras empresas a nível global. A produtora, cujas ações já caíram cerca de 4% depois do anúncio do ciberataque, avançou que está a avaliar o possível impacto dos constrangimentos no lucro da empresa.
Segundo as autoridades de Tóquio, não foram comprometidos quaisquer dados dos clientes no ataque.