Da indisposição à cirurgia de urgência. As três horas em que Marcelo deixou o país em suspenso - TVI

Da indisposição à cirurgia de urgência. As três horas em que Marcelo deixou o país em suspenso

Marcelo deverá ficar dois dias internado no Hospital de São João. Recuperação vai demorar 15 dias, mas chefe da Casa Civil garante que o Presidente da República está em plenas funções e que não há necessidade de qualquer substituição

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“Correu bem, já acordou e está bem". Faltavam poucos minutos para a meia noite quando os médicos do Hospital de São João, no Porto, anunciaram ao país o sucesso da operação feita a Marcelo Rebelo de Sousa a uma hérnia encarcerada. O próprio Presidente da República pedira aos médicos e ao chefe da sua Casa Civil para passarem uma mensagem aos portugueses. “Fez questão de ele próprio dizer que estava bem“ - pondo assim fim a uma polémica que tinha surgido enquanto estava a ser operado sobre a necessidade ou não de se iniciar um processo para a substituição do Presidente.

Marcelo vai agora ficar dois dias internado naquela unidade hospitalar, adiantou a presidente do Conselho de Administração, Maria João Baptista. Já a diretora clínica, Elisabete Barbosa, uma das médicas que esteve presente na cirurgia, explicou que o facto de se ter operado de urgência Marcelo impediu que a situação se agravasse e se tivesse de retirar parte do intestino. Assim, acrescentou, a recuperação vai ser mais rápida. Cerca de duas semanas. “Mas vai ter de repousar”, avisou Elisabete Barbosa.

Marcelo Rebelo de Sousa vai, por isso, ter de cancelar a sua agenda. “Ele queria já discutir isso comigo“, contou, por seu lado, o chefe da Casa Civil pouco tempo depois de a cirurgia ter terminado. O certo é que a agenda dos próximos dias foi cancelada. Para esta terça-feira dia 2 dezembro estava prevista a inauguração da exposição “No Caminho da Democracia: António Ramalho Eanes” no museu da Presidência da República.

Enquanto as médicas tentavam passar a ideia de tranquilidade do ponto de vista da saúde do Presidente, Frutuoso de Melo empenhou-se em rebater a ideia de poder haver necessidade de o presidente da Assembleia da República assumir temporariamente o lugar de Chefe de Estado. Isto ao garantir duas vezes, durante a noite, que o Presidente Marcelo pode exercer a sua função plenamente.

Aliás, as suas primeiras afirmações, pouco tempo depois de se ter iniciado a cirurgia, chegaram a levantar alguma polémica, com comentadores e constitucionalistas a dividirem-se quanto ao tema. Se, para Saragoça da Matta, “a partir do momento em que o chefe de Estado português se vê impedido, mesmo que temporariamente, devido a uma cirurgia, passa automaticamente a exercer funções o Presidente da Assembleia da República”, para Bacelar Gouveia o processo é mais complexo. “O Tribunal Constitucional tem sempre de verificar a morte ou a incapacidade do Presidente da República para indicar a sua substituição. Nada é automático.”

Tudo porque, durante 90 minutos, Marcelo esteve inconsciente com anestesia geral, não podendo tomar uma decisão crucial, caso necessário.

Mas uma nota vinda de Belém cerca das 23h45 veio trazer calma à discussão.
 
“A intervenção cirúrgica a que foi submetido o Presidente da República já terminou e correu bem. O Presidente da República já está acordado e bem disposto”. Seguiu-se depois aquela comunicação dos médicos do hospital de São João. Foi nessa altura,  já depois da meia noite, que terminaram as horas de incerteza sobre o que se estava a passar com o Presidente da República.

Dor abdominal lança alerta

Tudo começou cerca das 20h55 quando uma primeira nota do Palácio de Belém apanhou o país de surpresa ao informar que o Presidente se tinha sentido indisposto, com uma paragem de digestão, e que estava no hospital de São João a fazer exames. Tinha estado em Amarante no funeral de Antonio Mota, antigo presidente da Mota-Engil, e, perante as dores abdominais e vómitos que sentiu, os médicos que o acompanharam acharam que não havia condições para o Presidente regressar a Lisboa. E optaram por levar Marcelo àquela unidade, onde depois de fazer exames médicos se percebeu que tinha de ser operado de urgência a uma hérnia.

Desta vez diferente das anteriores. Em 2017, fez uma intervenção no Hospital Curry Cabral a uma hérnia umbilical e, em 2021, sofreu duas hérnias inguinais tendo sido operado no Hospital das Forcas Armadas, em Lisboa.

Este incidente surge agora em plena disputa por Belém e numa altura em que os candidatos a suceder a Marcelo se enfrentam em debates. Nesta segunda-feira sucederam-se entre eles as mensagens de melhorias ao atual chefe de Estado.

"Os candidatos vão ter de medir muito bem as palavras, sobretudo os que aspiram chegar à segunda volta, porque uma frase infeliz corre o risco de pôr em causa toda a campanha", avisa o politólogo José Filipe Pinto, acrescentando: "As palavras são como as setas, mas têm efeito boomerang. Depois de saírem da boca não voltam atrás, mas podem atingir quem as proferiu".

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