Demitido: diretor clínico do Hospital de Santa Maria não resiste ao escândalo das cirurgias milionárias - TVI

Demitido: diretor clínico do Hospital de Santa Maria não resiste ao escândalo das cirurgias milionárias

  • Cátia Esteves
  • Sandra Felgueiras
  • artigo atualizado às 19:50
  • 9 jul 2025, 18:35
Rui Tato Marinho, diretor do serviço de gastrenterologia e hepatologia do CHLN (Lusa/Tiago Petinga)

Caso foi divulgado pelo TVI/CNN Portugal. É mais uma baixa na estrutura do maior hospital do país. Já há nome para ocupar o lugar - médica envolvida no escândalo das gémeas luso-brasileiras, também revelado pela TVI/CNN

Rui Tato Marinho foi demitido do cargo de diretor clínico do Hospital de Santa Maria. A  exoneração foi pedida na semana passada pelo presidente do conselho de administração, Carlos Martins, depois de ter recebido o resultado das auditorias às cirurgias adicionais. A demissão foi aceite esta quarta-feira pela Ministra da Saúde.

É mais uma baixa na estrutura do maior hospital do país. Rui Tato Marinho, até agora diretor clínico do Hospital de Santa Maria, foi demitido na sequência da investigação do Exclusivo da TVI/CNN Portugal ao serviço de dermatologia do Hospital de Santa Maria, que revelou que só um médico - Miguel Alpalhão -  ganhou 400 mil euros em 10 sábados de cirurgias em produção adicional.

A ministra da Saúde aceitou a demissão e deu luz verde à nomeação da nova diretora clínica. Será Ana Isabel Lopes, médica envolvida no escândalo das gémeas luso-brasileiras, também revelado pela TVI. Era, até hoje, diretora do serviço de pediatria.

Foi ela Ana Isabel Lopes que recebeu o polémico telefonema feito pela secretária do então Secretário de Estado António Lacerda Sales a dar a "ordem" política para marcar a consulta das crianças, que abriu porta a um tratamento de 4 milhões de euros.

A nova diretora clínica vai exercer funções em regime de substituição até passar pelo crivo da Comissão de Recrutamento e Seleção para Administração Pública (CRESAP).

A TVI/CNN Portugal tentou contactar Tato Marinho, mas sem sucesso.

700 mil euros em pequenas cirurgias

Ao que o Exclusivo da TVI/CNN Portugal apuraram, Tato Marinho não esteve à altura de estancar o problema - que se arrastou, apesar de vários alertas, durante o seu mandato.

O diretor agora exonerado chegou mesmo a dizer que nunca tinha recebido emails, aos quais a TVI/CNN tiveram acesso e que demonstram que foi informado de todas as irregularidades.

Apesar disso, Tato Marinho manteve-se em funções mesmo depois de ter sido advertido da gravidade do caso - e mesmo após a demissão do diretor da dermatologia, Paulo Filipe, ouvido esta quarta-feira de manhã no Parlamento. 

A gota de água foram as auditorias preliminares que chegaram às mãos do conselho de administração, na passada sexta-feira, e que confirmaram as irregularidades apuradas pelo Exclusivo da TVI, nomeadamente a classificação de várias procedimentos como cirurgias de ambulatório, o que permitiu a vários médicos ganhar valores exorbitantes, aos quais não tinham direito.

O campeão destas contas foi Miguel Alpalhão.

Este médico recusou-se a prestar esclarecimentos aos deputados, que o chamaram terça-feira à comissão parlamentar de Saúde. 

Entre 2021 e 2024, Miguel Alpalhão ganhou cerca de 700 mil euros em pequenas cirurgias, como remoção de sinais ou verrugas, que ele próprio codificou, ou seja, indicou que se tratava de procedimentos de ambulatório quando, na verdade, estes procedimento não careciam sequer de bloco operatório. 

Estes atos continuados estão a ser investigados pelo Ministério Público e pela Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS).

Além de Miguel Alpalhão, também Rita Travassos registou cirurgias em seu nome enquanto estava em Itália. 

A IGAS também já abriu inquérito a este caso.

Esta polémica pôs a nu a fragilidade no controlo da despesa do Serviço Nacional de Saúde e que constitui um dos maiores rombos nos sucessivos orçamentos do Estado.

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