Malásia pede ajuda à Interpol para encontrar comediante Jocelyn Chia que fez piadas sobre o desaparecimento do voo MH370 - TVI

Malásia pede ajuda à Interpol para encontrar comediante Jocelyn Chia que fez piadas sobre o desaparecimento do voo MH370

  • CNN Portugal
  • FG
  • 14 jun 2023, 21:22
Jocelyn Chia (Getty Images)

Comediante está a ser investigada pela polícia da Malásia por fazer piadas sobre a rivalidade entre a Malásia e Singapura e sobre o desaparecimento do voo MH370 da Malaysia Airlines

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Jocelyn Chia, uma comediante singapurense que vive nos EUA, não esperava que fazer piadas sobre a Malásia e Singapura e sobre o desaparecimento do voo MH370 da Malaysia Airlines fosse suficiente para que a polícia malaia prometesse pedir apoio à Interpol para descobrir o se paradeiro e a sua “total identidade". Mas foi isso que aconteceu. Para além disso, de acordo com o jornal britânico The Guardian, as autoridades acusam ainda a comediante de discurso insultuoso e conteúdo ofensivo ou obsceno.

As piadas em causa estão imortalizadas num vídeo que se tornou viral e controverso, em que Jocelyn Chia fala da rivalidade entre Malásia e Singapura.

O vídeo foi captado durante uma atuação numa discoteca em Nova Iorque, onde a comediante começa por dizer que a Malásia tinha “abandonado” Singapura, referindo-se à separação do país em 1965. A comediante compara esta separação com aquela que acontece entre casais, no qual Singapura tinha a “vingança da separação”, uma vez que se tinha tornado um “país desenvolvido”, enquanto que Malásia “é ainda um país em desenvolvimento”. Acrescentou ainda que a Malásia, como um ex-parceiro, tentou fazer as pazes e regressar, ao notar o desenvolvimento de Singapura, mas não podia porque "os aviões não podem voar". Alguns dos presentes não se riram, o que fez que a comediante reagisse: "O facto de a Malaysian Airlines ter desaparecido não tem piada, pois não? Algumas piadas não aterram".

O voo a que Jocelyn Chia se refere é ao MH370 da Malaysia Airlines que desapareceu dos radares de tráfego aéreo em 2014, algures sobre o Oceano Índico, com 227 passageiros e 12 tripulantes a bordo. 

O vídeo tornou-se viral e, quando chegou aos representantes quer de Singapura quer da Malásia, as reações foram negativas, com os ministros dos Negócios Estrangeiros de ambos os países a condenarem os comentários de Chia. 

O ministro dos Negócios Estrangeiros de Singapura, Vivian Balakrishnan, assegura que Chia não fala em nome de singapurenses pois “valorizamos os nossos laços com a família e amigos na Malásia e lamentamos a ofensa e a mágoa causadas a todos os malaios", mas garante que também ficou “chocado com as suas declarações horrendas”.

Comediante defende-se

À CNN a comediante defendeu-se afirmando que, por um lado, a sua piada era baseada numa rivalidade amigável entre Malásia e Singapura e que já tinha apresentado o mesmo espetáculo “mais de 100 vezes” durante um ano e meio, e até à controvérsia ter lugar, não teve qualquer problema. 

Por outro lado, a comediante acrescenta que o o excerto cortado para as redes sociais não dava contexto suficiente e que, "depois de refletir sobre o assunto", viu "que o facto de este vídeo ser visto fora do contexto de um clube de comédia foi arriscado".

No domingo, as contas de Facebook e de Instagram da comediante foram desativadas. No entanto, o seu site continua ativo, assim como o Twitter e o Youtube.

Medidas repressivas para suprimir a liberdade não são uma novidade na Malásia, visto que grupos de direitos humanos acusaram o governo da Malásia de utilizar leis repressivas para suprimir a liberdade de expressão e as vozes críticas. A Amnistia Internacional refere ainda que, entre janeiro de 2020 e Junho de 2022, foram instaurados 87 processos contra indivíduos, incluindo artistas, intérpretes e activistas políticos.

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