A polícia paquistanesa invadiu a residência do antigo primeiro-ministro Imran Khan, no leste do país, e prendeu 61 pessoas, numa operação que envolveu gás lacrimogéneo e que provocou confrontos com apoiantes de Khan.

O dirigente policial Suhail Sukhera, que liderou a operação num bairro nobre da cidade de Lahore, disse que as autoridades agiram no sábado para remover barricadas erguidas por membros do partido Tehreek-e-Insaf, de Imran Khan.

Sukhera disse que os apoiantes do antigo primeiro-ministro bloquearam as ruas ao redor da residência de Imran Khan com blocos de cimento, árvores derrubadas, tendas e um camião.

O ex-chefe de Estado não estava em casa, tendo viajado para a capital, Islamabad, onde, horas antes, tinha comparecido num tribunal para responder a acusações de corrupção.

Khan, de 70 anos, saiu em liberdade após o tribunal ter revogado um mandado de detenção, anunciaram os seus advogados. A audiência foi adiada para 30 de março.

Suhail Sukhera disse que apoiantes de Imran Khan, armados com cassetetes, tentaram resistir à polícia atirando pedras e coquetéis molotov, e que um homem disparou também uma arma de fogo a partir do telhado da casa. Pelo menos três agentes da polícia ficaram feridos.

Sukhera disse que a polícia encontrou no interior da habitação armas automáticas, barras de ferro e bastões usados em ataques contra a polícia durante a semana passada.

O dirigente acrescentou que estruturas ilegais foram construídas dentro da residência para abrigar pessoas envolvidas nos ataques, que feriram dezenas de agentes.

O ministro do Interior paquistanês, Rana Sanaullah, disse mais tarde que a polícia faria uma busca completa na casa de Imran Khan, por suspeitarem que mais armas e munições ilegais estivessem escondidas.

A comissão eleitoral do Paquistão acusou Khan de não ter declarado presentes que recebeu durante o seu mandato como primeiro-ministro, nem os lucros obtidos com a sua venda, acusações que o visado nega.

O político acusa as autoridades paquistanesas de terem elaborado um plano para o deter, de forma a que não se possa apresentar às eleições, previstas para outubro.

Afastado do poder por uma moção de censura, em abril de 2022, Khan está a pressionar o frágil governo de coligação que lhe sucedeu para organizar eleições antecipadas.

/ WL