O Governo está a preparar medidas de controlo da covid-19 para passageiros provenientes da China, a implementar caso sejam necessárias, anunciou o ministro da Saúde, recusando “alarmismos” face ao recente aumento de infeções na população chinesa.

“Os Ministérios da Saúde, da Administração Interna e dos Negócios Estrangeiros estão a preparar a adoção, nos aeroportos, de medidas de controlo dos passageiros oriundos da China, que serão implementadas se e quando se revelarem necessárias”, adiantou à agência Lusa Manuel Pizarro.

Segundo disse o governante, o Governo está a acompanhar a evolução da covid-19 na China, que “constitui um motivo de preocupação”, mantendo um “diálogo estreito com os outros países europeus, designadamente no quadro da União Europeia e com os organismos sanitários internacionais”.

De acordo com Manuel Pizarro, há apenas um voo direto semanal que aterra em Portugal proveniente da China, mas está a ser avaliada a possibilidade de medidas de controlo de passageiros de voos com escalas noutros países.

“Não faz sentido nenhum obrigar as pessoas a controlos repetidos. Se vier a ser necessário fazer este controlo, faz sentido garantir que todos foram controlados pelo menos num local, neste caso terá de ser feito em Portugal se não for feito noutro sítio”, adiantou o ministro.

De acordo com o governante, o Ministério da Saúde está a acompanhar esta situação “com toda a prudência e com todo o cuidado, mas não há nenhum motivo de alarmismo”.

“Temos hoje uma situação muito diferente do que tínhamos anteriormente. Temos a população vacinada, sobretudo a população vulnerável, com uma altíssima taxa de vacinação, e temos um conhecimento sobre a covid-19 muito diferente do conhecimento do passado”, salientou.

Para Manuel Pizarro, a situação em Portugal “justifica atenção, monitorização, informação e preparação, mas nada mais do que isso”, alegando que, nesta altura, “qualquer alarmismo seria completamente injustificado”.

O ministro da Saúde garantiu ainda que o Instituto Ricardo Jorge continua a monitorizar e evolução do coronavírus SARS-CoV-2 que provoca a covid-19, não se registando “nenhuma novidade do ponto de vista dos serótipos dos vírus que estão em circulação”.

“Essa é uma monitorização que tem de ser feita sempre e que também será feita, de forma aleatória, aos passageiros que vêm do território chinês. Essa componente da monitorização faz parte integral e inamovível do nosso programa de vigilância para garantir segurança às pessoas”, sublinhou o ministro.

Manuel Pizarro reiterou ainda o apelo à vacinação contra covid-19, salientando que quase três milhões de pessoas já receberam a dose de reforço sazonal, e ao uso de máscara por quem estiver com uma infeção respiratória.

Aumento "alarmente"

A Comissão Europeia reconheceu hoje o aumento “alarmante” de casos de covid-19 na China e recomendou medidas de vigilância aos Estados-membros, como a sequenciação de amostras.

Numa carta enviada aos ministros da saúde dos 27 países da União Europeia e citada pela Europa Press, a Comissária Europeia da Saúde, Stella Kyriakides, diz que Bruxelas está “atenta aos desenvolvimentos”, assume que é necessário estarem preparados, embora, por enquanto, não existam medidas comuns.

Também a Direção-Geral da Saúde, no seu relatório semanal sobre os vírus respiratórios, reconhece que o aumento do número de casos diários de infeção por SARS-CoV-2 na China nos últimos dias é uma situação que “deve ser acompanhada de perto nas próximas semanas”.

Itália e Espanha já anunciaram que vão realizar controles nos aeroportos aos passageiros oriundos da China.

/ WL