Quais os sintomas mais comuns de long covid? - TVI

Quais os sintomas mais comuns de long covid?

Quais os sintomas mais comuns de long covid?

A comunidade científica continua a estudar as mazelas que persistem após a infeção. Os pulmões continuam a ser o órgão mais afetado, mas é o cansaço o estado que se prolonga por mais tempo. Afinal, como se espelha a long covid no corpo?

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Um teste negativo à SARS-CoV-2 nem sempre é sinónimo de um corpo são e enérgico. Algumas pessoas mantêm a sintomatologia ao longo de semanas, entrando para aquilo a que a comunidade científica já chama de síndrome pós-covid ou covid de longa duração (long covid).

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a condição pós-covid-19 ocorre em indivíduos com histórico de infecção provável ou confirmada por SARS-CoV-2, geralmente três meses após o início, com sintomas que duram pelo menos dois meses e não podem ser explicados por um diagnóstico alternativo.

Segundo a OMS e a Fundação Britânica do Coração, são dez os sintomas mais comuns.

Como se explicam estes sintomas prolongados?

“A fadiga é o mais prevalente dos sintomas”, começa por dizer o médico fisiatra Jorge Pimenta, também diretor clínico da Fisiogaspar. O motivo está na inflamação em si que o SARS-CoV-2 provoca assim que se aloja no organismo. “Como é uma inflamação crónica, afeta a mitocôndria, afeta a energia”, o que causa astenia, que é a diminuição ou perda de força física e que leva a um estado constante de cansaço, explica a médica internista Paula Pereira, do Hospital Lusíadas Porto. 

Embora o cansaço, muitas vezes extenuante ao ponto de a pessoa não conseguir fazer as tarefas domésticas, seja o sintoma que mais é relatado, quando se olha para o corpo humano são os pulmões o órgão mais afetado, sobretudo nos casos de covid-19 em que as pessoas foram infetadas com a cepa original ou com as variantes Alpha e Delta.

“As formas graves respiratórias continuam a ser preocupantes, quando há compromisso respiratório e necessidade de ventilação, com perda de massa muscular e descompensamento respiratório, mas tem aparecido menos [casos]”, diz Miguel Toscano Rico, médico especializado em Medicina Interna e um dos responsáveis pela Clínica de Atendimento pós-covid, no Hospital Santa Marta, em Lisboa, e pela criação da associação Inspiro.

“As alterações respiratórias, como a falta de ar e a tosse, são muito frequentes”, continua o médico, e devem-se ao facto de o vírus atingir e inflamar as vias aéreas, levando a uma reação à irritação, muitas vezes sob a forma de tosse seca.

A estes dois sintomas comuns - o cansaço e as alterações respiratórias - somam-se ainda a “dor de cabeça, as alterações de condicionamento físico e as alterações musculares e de equilíbrio”, continua o médico fisiatra Jorge Pimenta, frisando que acabam por ser resultado do combate generalizado do organismo à infeção e também de eventuais internamentos ou de estilos de vida mais parados à boleia do contágio.

Segundo a Universidade de Harvard, a perda de olfato está relacionada a alterações nas células de suporte olfativas e não a repercussões nos neurónios, como inicialmente se pensava. Um estudo publicado na Nature Genetics dá conta da possibilidade de haver um fator genético associado à perda de palato e olfato.

Tal como a CNN Portugal noticiou, têm sido vários os relatos de desregulamentados menstruais após a infeção pelo novo coronavírus, não se sabendo, porém, durante quanto tempo permanecerão.  

O que já descobriu a ciência sobre a long covid

Um estudo publicado na eClinicalMedicine revela que já foram identificados 203 sintomas associados à covid de longa duração e que envolvem 10 órgãos diferentes do corpo humano. O estudo foi realizado com dados de 56 países e envolveu mais de três mil pessoas, tendo concluído que 56 dos 203 sintomas identificados persistiram por sete meses.

E vão-se multiplicando os estudos que dão conta de novos casos de persistência de sintomas e até de sequelas a longo prazo. Um deles, levado a cabo em 2020 por investigadores italianos, e publicado na revista científica Journal of the American Medical Association, dá conta de que uma grande parte das pessoas infetadas com SARS-CoV-2 (87,4%) mantém pelo menos um sintoma após a recuperação da infeção aguda, sendo a fadiga e dispneia (dificuldade em respirar). A dor de cabeça é também uma das sequelas mais comuns (para além de ser um dos sintomas de infeção mais habituais).

Também em 2020, um outro estudo feito em Dublin revelou que metade das pessoas infetadas com o novo coronavírus apresentavam algum tipo de sintoma dez semanas depois do contágio, sendo que um terço continuava incapacitado para trabalhar, mesmo já com um teste negativo. Este estudo concluiu ainda que a fadiga persistente acontecia independentemente do quão severa fosse a infeção inicial. Publicado na revista The Lancet, um outro estudo vem levantar o véu sobre o possível impacto a médio e longo prazo da infeção por SARS-CoV-2 na estrutura cerebral, causando algumas mudanças na mesma.

Em pacientes com covid-19, cientistas do Centro Max Planck para a Física e Medicina, da Universidade Erlangen-Nuremberga, na Alemanha, encontraram alterações de subconjuntos de eritrócitos e leucócitos “com potencial para serem explorados como marcadores de diagnóstico” de covid de longa duração. Na prática, dizem, “as alterações persistentes de eritrócitos e neutrófilos podem estar relacionadas com sintomas de longa duração dos pacientes recuperados, dos quais 70% descreveram cefaleia crónica ou sintomas neurológicos, 54% apresentavam distúrbios de concentração e 62% problemas circulatórios, como suor frio e taquicardia”. Queda de cabelo e défice de atenção foram também sequelas associadas à covid e que persistiram, pelo menos, duas semanas depois da infeção, segundo a Nature.

Este ano, um estudo da Universidade de Yale revela que, um ano e meio depois da recuperação, 65% das pessoas que contraíram a doença continuam com perda de olfato.

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