A semana louca que "tirou" 2,5 mil milhões ao Credit Suisse - TVI

A semana louca que "tirou" 2,5 mil milhões ao Credit Suisse

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  • Alberto Teixeira
  • 18 mar 2023, 08:36
Credit Suisse (AP)

Banco suíço poderá decidir futuro este fim de semana, depois de uma semana frenética e alucinante, que “limpou” 2,5 mil milhões do seu valor na bolsa. O que vem a seguir?

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Qual o futuro do Credit Suisse? Grande demais para falir, mas também grande demais para ser salvo? Fusão com o rival UBS? Os responsáveis do banco estarão reunidos esta semana em múltiplos encontros para analisar os números e decidir qual o próximo passo a dar. E isto depois de uma semana louca que “limpou” 2,5 mil milhões de francos suíços ao valor da instituição na bolsa.

Segunda-feira, 13

As repercussões do colapso do californiano Silicon Valley Bank não demoraram muito a atravessar continente americano e o Atlântico e a fazer-se sentir na banca europeia. Que nem com as medidas extraordinárias da Administração Biden para os bancos americanos se salvou, com os investidores a temerem um risco de contágio no Velho Continente.

Nessa sessão, o Credit Suisse afundou 9,6%, uma queda expressiva que não se destacou, ainda assim, entre as perdas de outros bancos como o Commerzbank ou o Sabadell, que caíram 12%.

Desempenho na bolsa: -9,6% (-942 milhões de francos suíços)

Terça-feira, 14

Com os bancos no centro das preocupações dos investidores, o timing não podia ser o mais sensível para o Credit Suisse anunciar que detetou fraquezas materiais nos seus relatórios financeiros nos últimos dois anos devido a controlos internos ineficazes. Se não faltavam motivos para os investidores desconfiarem da instituição financeira helvética, depois dos sucessivos escândalos nos últimos anos com o caso da Archegos ou o colapso dos fundos Greensill, esta notícia veio abalar ainda mais a confiança dos mercados.

O banco suíço ia apresentar contas na semana anterior, mas recebeu uma chamada de última hora do regulador americano que fez adiar a publicação das contas do ano passado.

Em todo o caso, depois da queda de quase 10% na véspera, a sessão terminaria com perdas moderadas de cerca de 1% para a instituição financeira helvética, antes de entrar numa verdadeira espiral vendedora.

Desempenho na bolsa: -0,8% (-67 milhões de francos suíços)

Quarta-feira, 15

O maior acionista, o Saudi National Bank, descartou novas injeções no Credit Suisse porque isso iria elevar a sua participação para mais de 10% no banco suíço — adquirida poucos meses antes através de um aumento de capital de 4.000 milhões de francos suíços para financiar a profunda transformação do banco. “Não podemos, é uma questão regulatória”, avisou o chairman dos sauditas, Ammar Al Khudairy, em declarações à agência Reuters que alarmaram por completo os investidores.

Enquanto o banco afundava mais de 25% na bolsa, o CEO desdobrou-se declarações para assegurar a robustez financeira da instituição que, nos bastidores, pedia ao Governo e ao banco central para mostrar publicamente que ia segurar o banco.

Nouriel Roubini, conhecido por Dr. Doom, levantou a questão que todos os investidores colocam: “O problema é que o Credit Suisse, segundo alguns padrões, pode ser grande demais para falir, mas também grande demais para ser salvo”.

O setor financeiro europeu tombou 8%, naquela que foi a pior sessão para os bancos desde o início da invasão da Ucrânia pela Rússia.

Desempenho na bolsa: -24,2% (-2.140,1 milhões de francos suíços)

Quinta-feira, 16

Como quem vai quase a naufragar, o Credit Suisse recebe uma “boia de salvação” do Banco Central da Suíça, que abriu uma linha de financiamento de 50 mil milhões de francos suíços para assegurar liquidez à instituição financeira. Parte do dinheiro serviu para recomprar obrigações no mercado e tentar recuperar alguma credibilidade. “Não se justifica o pânico”, dizia o acionista árabe.

Ao início da tarde, já depois de saber que o banco suíço tinha sido resgatado, o Banco Central Europeu (BCE) anunciou uma subida de 50 pontos base nas suas taxas de referência. O banco central da Zona Euro assegurou que estava a monitorizar de perto as “tensões no mercado” e que responderá “conforme necessário” para preservar a estabilidade financeira.

Desempenho na bolsa: +19,2% (+1.280,9 milhões de francos suíços)

Sexta-feira, 17

Apesar do “suporte de vida” do banco central, o Credit Suisse voltou ao centro do furacão, sem conseguir afastar a desconfiança em relação ao seu futuro. O banco viu a DBRS cortar o rating para BBB e surgiu a notícia de que poderá enfrentar uma ação em tribunal nos EUA num caso de alegada fraude. Já se fala em fusão com o rival UBS.

O fim de semana será decisivo para o que vem a seguir, com o banco a ter reuniões que envolverão equipas que reportarão ao CFO, Dixit Joshi, para analisar números e cenários que podem reformular o futuro do Credit Suisse, de acordo com a Reuters.

Desempenho na bolsa: -8,0% (-638,5 milhões de francos suíços)

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