Taxa de juro dos novos créditos à habitação sobe para 4,331%. É a mais elevada desde abril de 2012 - TVI

Taxa de juro dos novos créditos à habitação sobe para 4,331%. É a mais elevada desde abril de 2012

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  • Luís Leitão
  • 19 set 2023, 11:29
Habitação cara Foto Getty Images

Subida das taxas Euribor em agosto elevou a taxa de juro dos novos empréstimos à habitação para o valor mais elevados em mais de 11 anos.

Está cada vez mais caro comprar casa nova. A contínua subida das taxas Euribor, que servem de referência à maioria dos créditos à habitação, reflete-se em taxas de juro do crédito à habitação cada vez mais elevadas.

Foi isso que voltou a suceder em agosto, com os contratos celebrados nos últimos três meses a serem celebrados com uma taxa de juro média de 4,331% face a 4,173% em julho, que se refletiu no valor mais elevado desde abril de 2012, segundo informação divulgada esta terça-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

O INE revela ainda que “a taxa de juro implícita no conjunto dos contratos de crédito à habitação foi 4,089% em agosto, o valor mais elevado desde março de 2009, traduzindo uma subida de 21,1 pontos base (p.b.) face a julho (3,878%).”

Desde o início do ano passado que, à boleia das taxas Euribor, as taxas de juro dos contratos de crédito à habitação batem novos recordes todos os meses. Atualmente, a taxa de juro implícita dos novos contratos está em máximos de abril de 2012 enquanto que a taxa implícita de todos os empréstimos à habitação está em máximos de março de 2009.

De acordo com cálculos do INE, a prestação média da totalidade dos empréstimos à habitação fixou-se em 379 euros em agosto, mais 9 euros que em julho e mais 111 euros que em agosto de 2022, o que traduz um aumento homólogo da prestação da casa de 41,4%.

Nos novos contratos, celebrados há menos de três meses, o valor médio da prestação subiu para 623 euros em agosto, mais 19 euros face a julho, e mais 178 euros face a agosto de 2022, que espelha um aumento homólogo de 40%.

Os dados revelados esta terça-feira pelo INE revelam também que a contínua subida das taxas de juro levou a que, em agosto, na composição da prestação dos créditos à habitação, a parcela relativa a juros volta-se a superar a componente de amortização de capital. Segundo o INE, 57% da prestação média da totalidade dos empréstimos à habitação tem como destino o pagamento de juros, que compara com uma parcela de 19% há um ano. É preciso recuar até abril de 2009 para se encontrar um percentagem tão grande do peso dos juros na prestação da casa.

A subida galopante das taxas de juro desde o início do ano passado provocou uma alteração substantiva na composição da prestação da casa. Se até então os juros pesavam menos de 20% da mensalidade do crédito à habitação, desde setembro que passou essa fasquia e nunca mais baixou. Hoje, os juros representam 57% da prestação da casa. É preciso recuar até abril de 2009 para se encontrar um peso tão grande dos juros na prestação da casa.

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