Adolescentes esfaqueiam jovem trans até à morte. Brianna Ghey tinha 16 anos - TVI

Adolescentes esfaqueiam jovem trans até à morte. Brianna Ghey tinha 16 anos

  • CNN Portugal
  • MCP
  • 15 fev 2023, 14:31
Brianna Ghey (Getty Images)

Polícia investiga se se tratou de um crime de ódio

Uma adolescente trans morreu esfaqueada, na tarde de sábado, 11 de fevereiro, num parque na cidade de Warrington, em Inglaterra. Um rapaz e uma rapariga, ambos de 15 anos, foram detidos e interrogados no dia 13 de fevereiro, por suspeitas de envolvimento no crime.

Brianna Ghey tinha 16 anos e, segundo a imprensa britânica, era assídua na rede social TikTok, onde era seguida por milhares de pessoas. A jovem usava a plataforma para se expressar sobre os altos e baixos da sua transição de género, o bullying por parte de transfóbicos que sofria na escola e para empoderar outras pessoas que passassem pelo que ela passava. Horas antes do crime, tinha lançado um vídeo na plataforma.

Quando foi encontrada, no sábado, a jovem ainda estava viva, mas apesar de terem sido acionados os meios de socorro, acabou por falecer no local.

Desde então, mais de 300 pessoas, entre família, amigos e membros da comunidade trans, têm-se juntado em vigília para prestar tributo a uma “muito amada filha, neta e irmã mais nova”. Na segunda-feira, estudantes juntaram-se no parque onde o crime aconteceu, para deixar flores em memória da adolescente.

Vígilia em tributo a Brianna Ghey (Getty Images)

Próxima de Brianna, Amelia, de Edimburgo, contou à Vice World News que falava com a amiga todos os dias e que ela era uma grande inspiração. “Ela fazia-me sentir imparável e bonita enquanto rapariga trans”, lembra.

“Os procedimentos criminais contra ambos os jovens de 15 anos estão ativos e têm direito a um julgamento justo. É extremamente importante que não haja qualquer cobertura noticiosa, comentário ou partilha online de informação que possa prejudicar estes procedimentos”, pode ler-se em nota numa nota emitida entretanto pelo Ministério Público britânico.

Alguns defensores da comunidade LGBTQIA+ lembraram que, como o governo conservador do país não permite que pessoas trans identifiquem o seu género em documentos oficiais, Brianna deverá acabar com o seu nome morto no atestado de óbito, em vez do nome por si escolhido.

De forma a ajudar a família, amigos recorreram ao GoFundMe para recolher donativos que ajudem nos custos do funeral.

Crimes de ódio e discriminação no Reino Unido

Ainda que este caso não esteja oficialmente sinalizado como crime de ódio (a polícia britânica ainda está a apurar o que aconteceu), as estatísticas oficiais do Governo da Grã-Bretanha, com dados até 2022, indicam que os crimes de ódio registaram um aumento de 26% em relação ao ano anterior. No que diz respeito à comunidade LGBT, especificamente, se em 2019 foram reportados 712 casos, em 2021 o número aumentou para 1109.

A polícia diz que este aumento de casos poderá estar relacionado com a “confiança” que a comunidade começa a ganhar para denunciar os crimes.
 

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