"Se eu não aparecesse, eles violavam-na". Motorista de TVDE impede violação de mulher em plena rua e persegue suspeitos - TVI

"Se eu não aparecesse, eles violavam-na". Motorista de TVDE impede violação de mulher em plena rua e persegue suspeitos

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  • 30 jan, 15:15
Carro de polícia

Aconteceu em Málaga. Ao ver que a rapariga não reagia, Adrián abriu a porta do passageiro e chamou-a: "Quando ela viu que não estava mais ninguém na carrinha, ganhou coragem e entrou. Nessa altura, tranquilizei-a, dizendo-lhe que era motorista e que ia tirá-la dali. Tranquei as portas e arranquei."

Adrián Maldonado é motorista de TVDE e, na madrugada de domingo, não terminou o turno como imaginava. O jovem evitou que uma rapariga fosse vítima de agressão sexual, ao resgatá-la quando esta estava a ser atacada por dois homens encapuzados em Málaga. Para além disso, o motorista seguiu os dois suspeitos até à chegada da polícia.

"Para mim, ele é um herói, gostava que houvesse mais pessoas assim", conta a jovem que escapou do ataque ao Diario Sur.

A rapariga de 28 anos tinha partilhado táxi com uma amiga, que mora na mesma zona. "Eu estava a um minuto do meu apartamento, por isso, saí em Vialia para que o taxista levasse a minha amiga até à sua porta", conta, recordando ainda o que o taxista lhe disse antes de sair do veículo: "Esses dois têm mau aspeto, cuidado."

Como não ficou descansada, a amiga pediu-lhe que fosse a falar com ela ao telemóvel até chegar a casa. "Não sei como aconteceu, mas estava a falar com ela e, de repente, eles estavam à minha frente", explica.

A jovem garante que nessa noite, de sábado para domingo, tinha ficado a trabalhar até tarde e que não tinha bebido: "Estava consciente e forte. Isso ajudou-me a fazer-lhes frente e a dar luta."

Ainda pensou que fosse um assalto e disse-lhes para levarem a mala, mas essa não era a intenção dos atacantes. "Assustei-me quando um deles começou a tirar o cinto. Lutei mais e tentei ir em direção à estrada. Não me importava de saltar para a estrada, precisava que alguém me ajudasse. E preferia ser atropelada do que violada. Uma agressão sexual é como te matarem em vida. É muito traumático."

A jovem apontou que, quando viu a carrinha de Adrián, pensou que iam sequestrá-la. Mas depois reparou que estava sozinho e pensou que ou aquela pessoa a ajudava ou a sequestrava e decidiu arriscar.

Não tinha outra escolha, sentiu: "Quando Adrián chegou, o que mais me impressionou foi que os seus rostos não mudaram. Eles não tinham medo de nada. Não pareciam sentir vergonha ou medo. Era como se não tivessem nada a perder."

Poucos minutos depois das 05:00, Adrián Maldonado estava quase a terminar o seu turno e deparou-se com o que parecia ser uma "briga de casal": "Mas, quando cheguei mais perto, vi dois homens encapuzados a discutir com uma rapariga."

Quando se aproximou viu que um deles estava a tirar o cinto e percebeu o que se estava a passar. "Aproximei-me e buzinei", conta. A ação do jovem fez com que soltassem a vítima: "Ela estava em choque. Por momentos, achou que estava com eles, porque conduzo uma carrinha de nove lugares, sem qualquer autocolante ou informação na lateral."

Ao ver que a rapariga não reagia, Adrián abriu a porta do passageiro e chamou-a: "Quando ela viu que não estava mais ninguém na carrinha, ganhou coragem e entrou. Nessa altura, tranquilizei-a, dizendo-lhe que era motorista e que ia tirá-la dali. Tranquei as portas e arranquei."

Adrián, que seguiu os homens para que não fugissem, ligou para os serviços de emergência por diversas vezes, sem sucesso, até que conseguiu avisar as autoridades, que enviaram várias patrulhas para o local.

Mas este ato de heroísmo podia não ter corrido bem, uma vez que, a determinada altura, os agressores, que agiam "como se estivessem bêbados ou drogados", se dirigiram à viatura. "O polícia, que estava ao telefone, disse-me para fechar as janelas e trancar a carrinha e foi isso que fiz", conta Adrián.

Os agressores, dois marroquinos de 21 e 24 anos, não chegaram a alcançar o veículo, porque foram intercetados por uma patrulha.

Os dois homens, que foram detidos por serem presumíveis autores de agressão sexual, uma vez que apalparam a jovem, negaram ter feito o que quer que fosse. Mas Adrián não tem dúvidas: "Se eu não aparecesse, eles violavam-na."

O motorista levou a vítima até ao Hospital Regional e pediu-lhe que denunciasse a situação, "porque amanhã poderá acontecer a outra rapariga". Uma opinião que foi partilhada pela vítima.

Apesar de ter querido pagar-lhe a viagem, Adrián não aceitou e deixou-lhe o seu cartão. "Assim, dás-me trabalho e vais tranquila para casa todas as noites", disse-lhe.

Mas a jovem fez mais que isso. Sem palavras suficientes para agradecer a ajuda de Adrián, a rapariga partilhou o seu contacto com todos os seus amigos, para que o chamem quando precisarem de transporte.

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