"Marcar por diversão contra o Al Taawoun é uma coisa, no Euro é outra". Deve Cristiano Ronaldo ser titular com a França? - TVI

"Marcar por diversão contra o Al Taawoun é uma coisa, no Euro é outra". Deve Cristiano Ronaldo ser titular com a França?

Cristiano Ronaldo (Antonio Calanni/AP)

É a questão do momento e custa acreditar que Roberto Martínez tenha outra coisa em mente que não lançar o capitão. Lá fora a dúvida está completamente instalada e os franceses até parecem temer vários jogadores antes do avançado

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Deve Cristiano Ronaldo ser titular diante da França esta sexta-feira? Será, neste momento, uma das questões que divide os portugueses. E aqui não há meio termo – seja qual for o lado, qualquer um vai parecer, aos olhos do outro, como a pior escolha possível, quase ao nível de uma traição à Pátria.

Mas não somos só nós a fazer esta questão. Desde logo são também os franceses, que se desdobram em notícias, reportagens e editoriais sobre o “Portugal de Ronaldo”, o que diz bem de toda a situação. Mesmo que já não sirva como servia antes, continua a ser, de longe, a figura da seleção e o foco de todas as atenções.

Numa análise à questão “de onde pode vir a ameaça contra Portugal”, o L’Equipe parece colocar vários jogadores acima de Cristiano Ronaldo. “Naturalmente que todos pensamos” nele, “mas já não consegue abrir os espaços” de outros tempos.

Ao invés do capitão da seleção, o jornalista Romain Lafont entende que a imprevisibilidade de Rafael Leão e Bernardo Silva nas alas, a assertividade ou os remates de Bruno Fernandes e Vitinha no meio ou as estonteantes corridas de Nuno Mendes e João Cancelo nas laterais são questões a ter verdadeiramente em atenção.

Apesar de tudo, o mesmo jornal francês não tem dúvidas: Cristiano Ronaldo “é intocável” e vai jogar, ou sim, ou sim. Em campo encontrará aquele que muitos dirão por esta altura ser o melhor jogador do mundo, e que vem na sua figura um exemplo. Kylian Mbappé cresceu num quarto rodeado de posters do craque da seleção. Agora vão voltar a encontrar-se, mas os níveis de ameaça que cada um pode colocar ao adversário é bem diferente por esta altura.

Um homem com pouco para mostrar

É Ben Fisher, do jornal The Guardian, que o diz. “Ronaldo tem pouco para mostrar em 366 minutos jogados”. E o problema é que “os números estão claramente a comê-lo”, até porque ainda não conseguiu marcar um golo, nem mesmo numa grande penalidade contra a Eslovénia, na qual Jan Oblak até teve mais mérito do que o avançado demérito.

“Nenhum jogador teve mais remates sem dar em golo este verão e está numa das maiores secas em grandes torneios: oito jogos desde o Mundial no Catar”, relembra o jornalista, que fala num Ronaldo acomodado a um papel que lhe parece estranho, mas que é o dele, o de “homem de cera” que se coloca entre os centrais sem quase nunca se conseguir soltar.

“Independentemente do fenomenal recorde de golos de Ronaldo, custa a acreditar que a melhor rota para o sucesso de Portugal seja pedir a Leão, Bernardo Silva, Bruno Fernandes, Nuno Mendes, Vitinha, Nelson Semedo, Diogo Jota – a lista continua – que procurem jogar para o homem estacionado no meio da área, como se fosse a única opção”, continua o texto de um autor que sabe que “não há como Ronaldo não ser titular contra a França”.

Uma oportunidade Perdida?

Fernando Santos teve a coragem para fazer o que há muito se questionava. No Mundial de 2022 sentou Cristiano Ronaldo contra a Suíça e a resposta foi arrebatadora: Portugal ganhou 6-1 e Gonçalo Ramos, que entrou no lugar do capitão, fez um hat-trick e foi o melhor em campo.

Na ronda seguinte perdemos com Marrocos e isso precipitou a saída de Fernando Santos. Veio um Roberto Martínez que “não utilizou a oportunidade para traçar uma linha na areia saudita e colocar Ronaldo de fora”.

É o que diz Tim Spiers, do The Athletic, que vê nesta seleção o “grupo de jogadores mais talentoso que Portugal já produziu”. Estará o capitão a fazer o suficiente para que Diogo Jota ou Gonçalo Ramos continuem na sombra?

O texto não questiona a habilidade de marcar golos do avançado – marcou 12 pela seleção desde o Mundial –, mas lembra que nenhum deles foi frente a seleções de topo, além do penálti falhado quando perante um dos melhores guarda-redes do mundo, Jan Oblak.

É um contraste, diz o The Athletic, com o que se passa na Arábia Saudita, onde os seus últimos golos foram contra Paulo Vitor ou Moataz Al Baqaawi, numa comparação que dá claramente a entender que não estão ao mesmo nível dos melhores, nomeadamente de Oblak na segunda-feira ou de Mike Maignan esta sexta-feira.

“Marcar por diversão contra o Abha ou o Al Taawoun é uma coisa, no Euro é outra. Não existe uma correlação direta entre o nível do clube  e o de seleção”, lembra o jornalista, que até aponta o exemplo de N’Golo Kanté, também a jogar na Arábia Saudita, como alguém capaz de competir ao mais alto nível.

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