Há uma certa magia nestes dias em que tudo se decide, toda a época está ali, joga-se em 90 minutos, tudo nos passa pela cabeça, as frustrações, os momentos felizes, os porquês, os quases. O futebol.
E se tudo isto é verdade – quero acreditar nisso e que conhece o sentimento de que falo – não menos verdade é que essa dimensão das decisões ganha ainda outros contornos quando temos de estar de ouvidos e olhos colados não só no nosso jogo.
Foi tudo isto que enfrentou hoje, 16 de Maio, o Dia D no Campeonato, um Casa Pia que sabia que, acima de tudo, tinha de ganhar. Uma vitória seria perfeita para sonhar. Mas era preciso estar atento ao que fariam Estrela da Amadora, Tondela e Nacional (ufa!).
Em Rio Maior, diga-se a verdade, os primeiros minutos não tiveram qualquer interesse – a maior comoção viria de Braga, onde o Estrela marcou logo no início, mas sofreria o empate pouco depois.
O Rio Ave, já sentado no trono da manutenção, parecia ser uma presa ao alcance de um Casa Pia que jogava a favor do vento.
Ao minuto 35, Larrazabal consumou em golo o sonho dos gansos. Depois de um canto batido na esquerda, o jogador – um dos melhores do Casa Pia – apareceu ao segundo poste para encostar para o golo.
Ao intervalo, todos pegámos no telemóvel: a conjugação de resultados permitiria que o Casa Pia estivesse em lugar de salvação. O Tondela estava a perder; o Estrela, empatava com o Braga.
Mas, nestes dias de decisão, um golo pode (mesmo) mudar tudo. No início da segunda parte, Patrick Sequeira fez uma asneira, ao sair mal a um cruzamento, permitindo que Blesa fizesse o empate (52m).
E depois o jogo entrou numa montanha-russa tal que é difícil explicá-la por palavras – também é essa a magia do futebol, não é?
Dentro das quatro linhas, pouco aconteceu, mas, em Braga, houve um turbilhão tal. Perto dos 90m, o Braga marcou e a vitória frente ao Estrela colocaria este Casa Pia com a manutenção já assegurada.
Tudo isso, de resto, pareceu tão verdade como o que se dizia no início desta crónica em que se falava de decisões. Mas elas, caro leitor, só surgem mesmo quando soa o apito final.
E assim, quando Álvaro Pacheco já era um corrupio nas bancadas, os adeptos acreditavam tanto que quase lhes conseguíamos sentir a pulsação, faltava apenas um minuto para o final, a manutenção estava logo ali, a um passo, o Estrela marcou.
Foi um verdadeiro balde de água gelada, servido com a certeza de que, agora, o Casa Pia vai jogar o play-off de manutenção com o Torreense, a terra do Carnaval – uma bonita metáfora para o seu quê de carnavalesco que o jogo de hoje teve.
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A FIGURA: Larrazabal
Não só pelo golo, mas por muito mais. Larrazabal hoje mostrou o porquê de ser o melhor jogador do Casa Pia – fez uma exibição imaculada, marcou o tento dos gansos e, sejamos justos, merecia que a sua equipa tivesse alcançado a manutenção. É jogador de Primeira, disso não tenhamos dúvidas.
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O MOMENTO: Lekovic – de Braga a Rio Maior
Sem prejuízo da qualidade de Casa Pia e Rio Ave, o momento do jogo tem de ser o golo de Lekovic que deu ao Estrela a manutenção. Frente ao Braga, já no último suspiro, o sérvio apontou o tento decisivo: que colocou o Estrela na Primeira Liga e deixou ao Casa Pia um play-off para o conseguir.
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POSITIVO: Presença dos adeptos do Rio Ave
Sem nada para lutar, o Rio Ave foi hoje ao terreno do Casa Pia a saber que apenas cumpria calendário. Ainda assim, merece destaque a boa presença de adeptos em Rio Maior, no apoio à equipa que já havia conseguido o principal: a permanência.