Há novas informações sobre o caso de agressão sexual que envolve o jogador brasileiro Dani Alves. De acordo com o jornal El País, o porteiro da discoteca onde ocorreu a alegada violação, em Barcelona, Espanha, foi essencial para os cuidados da vítima e para a posterior apresentação da queixa contra o jogador. Sabe-se também que Dani Alves contratou agora um dos advogados mais reputados de Espanha, que já defendeu o Barcelona e Lionel Messi na Justiça.

De acordo com o jornal espanhol, a jovem de 23 anos chegou à discoteca Sutton antes das 02:00 horas da manhã, acompanhada de uma amiga e de uma prima, depois de terem estado num bar onde lhes foi entregue uma pulseira com entrada gratuita no estabelecimento. Cerca de uma hora depois, as três jovens estavam de saída da discoteca, até que foram intercetadas pelo porteiro, que se apercebeu do estado agitado da vítima, tendo-lhe perguntado o que se passava. "Mal de amores?”, questionou, em jeito de brincadeira, segundo o jornal.

A vítima começou por dizer que teve problemas com uma pessoa "muito importante", até que, depois da insistência do porteiro, acabou por lhe contar o sucedido.

Perante a situação, o porteiro pediu às três jovens para que não saíssem do local e colocou logo em prática o protocolo adequado contra agressões sexuais. Trata-se de um protocolo promovido em 2018 que tem como objetivo indicar aos estabelecimentos noturnos como devem atuar perante um caso de agressão sexual. Na prática, consiste em atender a vítima de forma imediata, acompanhando-a a uma sala resguardada onde possa receber a devida atenção, seguindo-se um alerta às autoridades de emergência médica e à polícia local.

E foi isso mesmo que aconteceu, revela o jornal, que detalha que as três jovens foram direcionadas para uma sala da discoteca, onde se encontraram com o responsável do estabelecimento. Por esta altura, Dani Alves já tinha saído da discoteca. Entretanto, a polícia chegou ao local e, aparentemente sem querer, os agentes chamados ao local gravaram o testemunho da vítima, o que acabou por se revelar fundamental para sustentar a credibilidade da vítima diante das autoridades.

Depois, a jovem foi transportada para o Hospital Clínic de Barcelona, uma unidade de referência para agressões sexuais na cidade, onde os médicos observaram e avaliaram as lesões - um dos indícios que apontam para uma relação não consensual e que foi determinante para a prisão preventiva do jogador.

De acordo com o El País, Dani Alves, que está em prisão preventiva desde sexta-feira, era um cliente regular daquela discoteca, mesmo depois de já não jogar no Barcelona. O jogador frequentava a sala VIP, onde gastava grandes quantidades de dinheiro, e, de acordo com fontes da discoteca, nunca tinha causado problemas.

Jogador contrata advogado de Messi e do Barcelona

Entretanto, sabe-se também que Dani Alves contratou um dos advogados mais famosos de Espanha para reforçar a sua equipa de defesa neste processo. 

Trata-se de Cristóbal Martell, um advogado que tem estado por detrás de vários casos com grande repercussão mediática nos últimos anos. Não só defendeu Lionel Messi num processo em que o jogador era acusado de fraude fiscal, como chegou a acordo com a Justiça espanhola, em 2016, quando o Barcelona foi condenado por crimes fiscais na contratação de Neymar. O presidente do clube na altura das negociações, Sandro Rosell, e o atual dirigente, Josep Maria Bartolomeu, foram considerados inocentes.

Cristóbal Martell não atua apenas no mundo do futebol: também representa o político espanhol e ex-presidente da Catalunha, Jordi Pujol, que, juntamente com a sua família, responde a acusações de corrupção, organização criminosa e outros crimes, num processo que ainda está a decorrer.

Recentemente, Cristóbal Martell foi considerado pela terceira vez “Advogado do Ano” na defesa criminal pela revista “Best Lawyers”.

O futebolista permanece na prisão Brians 1, em Barcelona, depois de ter sido condenado a prisão preventiva sem fiança. O internacional brasileiro negou ter tido relações sexuais com a jovem, versão contrariada pelas provas recolhidas - impressões digitais, vestígios de ADN - e já analisadas pelos Mossos d'Esquadra.

Beatriz Céu