AD culpa PS pela subida da mortalidade infantil, PS e PCP culpam a AD, IL quer averiguar para depois culpar - TVI

AD culpa PS pela subida da mortalidade infantil, PS e PCP culpam a AD, IL quer averiguar para depois culpar

Luís Montenegro e Ana Paula Martins (Lusa)

Números da mortalidade infantil entraram pela campanha adentro - e são números que preocupam os especialistas (e o país inteiro)

O aumento de 20% da mortalidade infantil registado em 2024 foi um dos temas quentes da campanha eleitoral esta segunda-feira. Os partidos da oposição aproveitaram as más notícias para tecer críticas ao Governo e o Governo devolveu com críticas aos antecessores. O certo é que ninguém assumiu culpas e por apurar ainda estão as causas da morte de 252 bebés, mesmo quando a Direção-Geral da Saúde (DGS) já tem criada, desde janeiro, uma Comissão de Acompanhamento da Mortalidade Fetal e de Menores - mas ainda não deu quaisquer dados, algo que os especialistas lamentam.

Apesar de não descartar uma associação aos constrangimentos das urgências de Ginecologia e Obstetrícia e de Pediatria encerradas ao longo do ano, sobretudo em Lisboa e Vale do Tejo, a ministra da Saúde apontou o dedo à governação socialista, dizendo que é resultado da falta de investimento dos antecessores.

“Ninguém pode dizer hoje que não está relacionado, mais do que com as urgências [encerradas], com a diminuição, nos últimos anos, daquilo que tem sido o investimento que precisamos de fazer, concretamente no sistema público na área materno-infantil”; “urgências fechadas ou intermitentes não são uma boa resposta”, disse Ana Paula Martins, em Vila Real, onde é cabeça de lista pela AD - Coligação PSD/CDS-PP.

O secretário-geral do Partido Socialista, Pedro Nuno Santos, mostrou-se “muito preocupado” com os recentes dados do Instituto Nacional de Estatística e devolveu a acusação de Ana Paula Martins com outra acusação, dizendo que a ministra da Saúde nunca assume a responsabilidade. “Esta senhora ministra nunca foi capaz de dizer: sim, aqui falhámos”, disse o socialista.

Embora os dados da mortalidade infantil sejam conhecidos desde janeiro, as causas continuam por apurar e o presidente da Iniciativa Liberal diz que essa deve ser uma das prioridades, sublinhando que é necessário saber se houve uma relação direta com o encerramento das urgências e com a falta de médicos de família, o que pode contribuir para gravidezes não vigiadas. Apesar de rejeitar “fazer política e demagogia” com o tema, considerou os números “preocupantes” e “indesejáveis”.

Em Alpiarça, no distrito de Santarém, Paulo Raimundo, lamenta que estejamos num “país a andar para trás”, no qual, diz, estamos a regredir “anos e anos na qualidade de vida, nos direitos das crianças”. O secretário-geral do PCP responsabilizou o Governo por uma regressão e defendeu o reforço do SNS como prioridade.

De acordo com as “Estatísticas Vitais” do INE, registaram-se em 2024 118.374 óbitos, mais 0,1% (79 óbitos) do que em 2023, dos quais 252 óbitos foram de crianças com menos de um ano (mais 42 do que em 2023), o que se traduziu no aumento da taxa de mortalidade infantil para 3,0 óbitos por mil nados-vivos (2,5‰ em 2023).

Continue a ler esta notícia