Quase dois terços dos alunos do ensino básico e secundário em Portugal não dormem o suficiente e uma fatia significativa apresenta sinais de sofrimento psicológico, segundo um estudo nacional realizado a mais de 11 mil estudantes.
De acordo com o relatório do Instituto para os Comportamentos Adictivos e as Dependências, a que o jornal Público teve acesso, 60% dos jovens não acordam repousados, enquanto 10% registam níveis severos ou muito severos de depressão, 13% de ansiedade e 7% de stress.
Os dados apontam para uma ligação direta entre saúde mental e comportamentos adictivos. Alunos com maiores níveis de ansiedade, depressão ou stress apresentam maior consumo de álcool, tabaco, cannabis, drogas ilícitas e medicamentos como tranquilizantes e sedativos, além de um uso mais problemático das redes sociais.
O estudo indica ainda que 48% dos jovens consumiram álcool no último ano e 6% recorreram a drogas ilícitas. O uso de medicamentos sem indicação médica atinge 7% dos alunos.
As raparigas revelam níveis mais elevados de sofrimento psicológico e maior consumo de sedativos, evidenciando uma vulnerabilidade acrescida.
A investigação destaca também que o consumo de substâncias psicoativas tem um impacto mais significativo na saúde mental do que comportamentos como o uso de redes sociais ou videojogos, sobretudo em padrões de risco.