A depressão Marta, que vai atingir esta madrugada Portugal Continental, “deverá ser mais severa que a Leonardo”, mas será “mais circunscrita”, afetando sobretudo as regiões de Leiria, Lisboa, Setúbal e Algarve.
Os efeitos desta nova tempestade vão começar a sentir-se a partir das 06:00 deste sábado, hora em que estão previstos períodos de chuva intensa e vento forte em vários pontos do país, sobretudo em Leiria, Lisboa, Santarém, Setúbal e Beja, com rajadas que podem atingir 100 quilómetros por hora e 120 nas zonas mais montanhosas.
Segundo o climatologista Mário Marques, a região do Algarve será sobretudo afetada por ventos fortes, “durante todo o dia, não é só quatro ou cinco horas”, como se espera que aconteça nos distritos de Leiria, Lisboa, Setúbal e Beja, por exemplo.
Apesar de considerar que os valores das rajadas de vento já são “preocupantes”, o climatologista Carlos da Câmara acredita que esta tempestade “não será mais forte do que se supunha”. “O que acontece é que agora, com menos de 24 horas de antecedência, temos uma ideia mais fidedigna do que pode vir aí e das regiões que pode afetar”, sublinha.
A previsão de precipitação intensa preocupa sobretudo pelas zonas que serão afetadas, nomeadamente nas bacias dos rios Tejo, Sado e Mondego, onde os solos já estão muito saturados das chuvas acumuladas dos últimos dias. “As terras estão alagadas, as estruturas estão stressadas. Portanto, a probabilidade de nós termos sarilhos aumenta”, adverte Carlos da Câmara.
A este propósito, a ministra do Ambiente e da Energia, Maria da Graça Carvalho, assegurou que tudo está a ser feito para que o impacto da depressão Marta seja o menor possível, mas admitiu que pode ser necessário evacuar mais locais, além das já efetuadas em Alcácer do Sal, Ourém, Santarém, entre outros.
Para esta sexta-feira e sábado há um elevado risco de inundações nos rios Vouga, Águeda, Mondego, Tejo, Sorraia e Sado.
Com risco de inundações (não elevado) estão também os rios Lima, Cávado, Ave, Douro, Tâmega, Lis e Guadiana.
“Não é caso para pânico, mas é caso para muito cuidado”, sublinha o climatologista Carlos da Câmara, aconselhando a população a evitar deslocações desnecessárias e a ter cuidado com as estradas. “Não sair por razões lúdicas, só por necessidade, ter uma condição defensiva, não estacionar por baixo de árvores, não estacionar ao pé de muros”, recomenda.