Quase toda a gente carrega na carteira um cartão de crédito, mas poucos sabem utilizá-lo de forma moderada e responsável. Para muitos, até que haja plafond para gastar em roupa, sapatos, férias e todo o tipo de “bugigangas”, tudo vale.

O problema é quando chega a data de fecho do extrato do cartão: a hora do pagamento. Para os menos precavidos, a situação resolve-se facilmente pagando apenas o montante mínimo do valor em dívida. Porém, ao fazê-lo está a incorrer no pagamento de juros.

Até março, por cada euro em dívida, o banco poderá aplicar uma taxa de juro até 15,7% do montante em dívida acumulado pelo cartão de crédito. Isto significa que, por cada 100 euros de dívida por pagar, terá, mais tarde ou mais cedo, de pagar 115,70 euros.

Assim, caso tenha ido aos saldos e utilizado o seu cartão de crédito para comprar aquele par de sapatos que há tanto desejava com um desconto de 15%, caso não opte por pagar essa “fatura” a 100%, fique ciente de que nem os saldos lhe darão uma ajuda.

Começar por estabelecer uma séria disciplina no gasto e no pagamento do saldo em dívida é só o primeiro passo para que, ao final do mês, a utilização do cartão de crédito não deixe escaldado o orçamento familiar.

  1. Anuidade: Costuma dizer-se que um bom negócio faz-se na compra. O mesmo se aplica na escolha de um cartão de crédito: quanto mais barato, melhor. Procure cartões que não cobram qualquer comissão de anuidade, não apenas no primeiro ano, mas em toda a vigência do contrato. Ou então, que o seu custo seja bem justificável.
  2. Pagamento: Por defeito, os pagamentos dos cartões de crédito costumam estar pelo valor mínimo em dívida. Significa que, no final do mês, apenas tem de pagar cerca de 5% ou 10% do dinheiro que gastou. Se à primeira vista parece ser fantástico, depois de fazer umas contas chega à conclusão que essa modalidade apenas serve para dar mais dinheiro a ganhar ao banco em juros. Altere a modalidade de pagamento para o total do saldo em dívida: tudo o que gastar será pago no final do mês sem juros.
  3. Utilização: O cartão de crédito pode ser uma dor de cabeça para as pessoas que sempre que passam em frente de uma loja sentem-se tentados a comprar tudo o que vêm na montra. Mas para o resto da população, o cartão de crédito, quando utilizado com conta e medida, revela-se numa ferramenta bastante útil para gerir o orçamento familiar e para fazer face a uma situação de emergência.
  4. Disciplina: Ser titular de um cartão de crédito exige responsabilidade. No gasto e no pagamento. Na hora de gastar, estipule não ultrapassar dois terços do seu rendimento disponível, de forma a chegar ao final do mês com margem suficiente para pagar por inteiro o montante em dívida. No pagamento, tire partido dos dias que o cartão não cobra juros, entre 30 e 50 dias, e garanta que tem sempre dinheiro disponível na sua conta à ordem para pagar a totalidade do saldo em dívida, evitando assim que lhe seja cobrado qualquer juro.
  5. Ofertas: Os brindes que acompanham alguns cartões de crédito apenas servem para distrair do que realmente importa: o custo do cartão. A oferta de máquinas de café, smartphones, tablets, cheques oferta e outros produtos do género são o mote para o banco lhe vender um cartão que lhe poderá custar o preço destes equipamentos a dobrar. Por isso, preocupe-se em primeiro lugar em apurar as comissões e o valor da taxa de juro que o cartão oferece e só depois olhe para os brindes.
  6. Benefícios: De que vale a pena ter um cartão de crédito que lhe oferece milhas para descontar em viagens de avião se raramente voa? Ou isenção de taxas em gasolineiras se não for condutor? Não se deixe levar pelo rol de benefícios que o cartão oferece. Concentre-se na utilização que dará ao cartão e restrinja-se aos benefícios relevantes desse uso.
  7. Cashback: São ainda poucos os cartões que reembolsam uma percentagem das compras realizadas, mas há exceções. Na carteira, o cashback é das características mais relevantes num cartão de crédito (além da isenção do pagamento da anuidade), simplesmente porque ajuda a pagar a despesa.
ECO - Parceiro CNN Portugal / Luís Leitão