O ministro do Ambiente e da Ação Climática lamentou esta quinta-feira a demissão do ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, mas garantiu que o Governo tem “todas as condições para fazer o seu trabalho”. 

“Nós respeitamos a decisão do ministro das Infraestruturas e da Habitação, a decisão de Pedro Nuno Santos, uma decisão que ele tomou, nós respeitamos. Obviamente que lamentamos que tenha sido a decisão que tomou e que tenha saído do Governo e obviamente valorizamos muito todo o trabalho e as marcas que tem construído e que estou certo que o Governo continuará”, afirmou Duarte Cordeiro em Lisboa, numa conferência de imprensa sobre os preços da energia para 2023.

Duarte Cordeiro saudou o trabalho do ministro demissionário, que esteve no Governo durante sete anos e que foi ministro desde 2019, responsável pelas Infraestruturas.

Nesse sentido, o ministro do Ambiente enalteceu que “havia uma proximidade grande do ponto de vista do que era o trabalho que estava a ser desenvolvido pelo Ministério das Infraestruturas e da Habitação e pelo Ministério do Ambiente e da Ação Climática” em pontos centrais como o projeto ferroviário – com impacto nas políticas industriais e ambientais – ou na política portuária.

São marcas que o ministro das Infraestruturas e da Habitação deixa, trabalho que vai ser continuado naturalmente pelo Governo”, garantiu o governante, que registou que o executivo “tem todas as condições para fazer o seu trabalho”.

“Temos que obviamente responder àquilo que são as expectativas que os portugueses têm relativamente à sua vida, ao seu dia a dia, mas também um conjunto de transformações determinantes para o nosso futuro”, afirmou, referindo-se à transição energética e a transição ambiental.

De igual forma, Duarte Cordeiro sublinhou que o Governo está “suportado na Assembleia da República com uma maioria política de um partido, tem condições para continuar o seu trabalho”.

O ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, demitiu-se na quarta-feira à noite para “assumir a responsabilidade política” do caso da indemnização de 500 mil euros da TAP à ex-secretária de Estado do Tesouro.

Esta foi a terceira demissão do Governo em dois dias, depois de Alexandra Reis, da pasta do Tesouro, no centro da polémica com a indemnização, e do secretário de Estado das Infraestruturas, Hugo Santos Mendes, que acompanhou a decisão de Pedro Nuno Santos.

A Iniciativa Liberal já anunciou uma moção de censura ao Governo, no parlamento, onde o PS tem maioria absoluta.

O ministro das Finanças, Fernando Medina, demitiu na terça-feira a secretária de Estado do Tesouro, menos de um mês depois de Alexandra Reis ter tomado posse e após quatro dias de polémica com a indemnização de 500 mil euros da TAP, tutelada por Pedro Nuno Santos.

Alexandra Reis recebeu uma indemnização por sair antecipadamente, em fevereiro, de administradora executiva da transportadora aérea. Em junho, foi nomeada pelo Governo para a presidência da Navegação Aérea de Portugal (NAV) e este mês foi escolhida para secretária de Estado do Tesouro.

A decisão de indemnizar Alexandra Reis, noticiada pelo Correio da Manhã, foi criticada por toda a oposição e posta em causa até pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, ao dizer que seria “bonito” prescindir da verba.

/ BC