Duarte Cordeiro limpou a tinta, tomou a palavra e deixou uma garantia: o preço da energia não deve subir acima da inflação - TVI

Duarte Cordeiro limpou a tinta, tomou a palavra e deixou uma garantia: o preço da energia não deve subir acima da inflação

Ministro do Ambiente foi alvo de ativistas pelo clima e começou o dia com a roupa e o rosto pintados de verde. Na conferência da CNN Portugal dedicada à transição energética, Duarte Cordeiro admitiu que o preço dos combustíveis fósseis não deixa o governo insensível

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Foi já de camisa branca, sem casaco vestido e 30 minutos depois da hora prevista que o ministro do Ambiente, Duarte Cordeiro, se sentou no palco para responder às perguntas de Pedro Santos Guerreiro, no primeiro painel do dia da conferência "A nova energia é verde", organizada pela CNN Portugal esta terça-feira no Hotel Pestana Palace, em Lisboa. Pelas 9:30, nos primeiros minutos de intervenção dedicada às metas e política públicas para transição energética, o governante foi atingido com ovos de tinta verde no corpo e no rosto - "pelo menos acertaram na cor", havia de ironizar mais tarde - por ativistas do grupo Greve Climática Estudantil. 

Três jovens ativistas foram retiradas da sala por elementos da PSP, enquanto gritavam que este será "o último inverno de gás" e atiravam acusações ao Governo pela incapacidade de lidar com a crise climática. "Não vendam o nosso futuro", pediam em voz alta, perante a surpresa dos que assistiam.

Quando retomou o discurso, o ministro não deixou de comentar o que tinha acabado de lhe acontecer: "A intolerância não é caminho para lado nenhum", lamentou, acrescentando depois que não se queixa "de quem vai para a rua", mas duvida da eficácia desta forma de manifestação, que contribui para que a causa do ambiente "perca o apoio social".

"Sabemos que temos muito para fazer", admitiu, assinalando mesmo a área dos resíduos e do transporte individual como aquelas em que a ação do Governo deveria ser mais incisiva a nível da sustentabilidade, mas garantindo que os atrasos estão identificados e que não deixará de continuar a tentar acelerar o processo da transição energética, porque os tempos assim o exigem.

"Os jovens estão preocupados com o seu futuro e tenho enorme respeito por toda essa geração", garantiu Duarte Cordeiro, enquanto ia dizendo também que os portugueses apoiam globalmente a transição energética e que o Governo, mais do que afastar as grandes empresas - como a EDP ou a Galp, cujos CEO estavam presentes na assistência - tem de conseguir envolvê-las neste processo e no caminho para a energia verde. "Temos de fazer um processo de descarbonização que envolva estas  empresas e aproveite a capacidade instalada", afirmou o ministro, dizendo que isso passa também por "aproveitar os nossos recursos naturais", seja a água, do mar ou reutilizada, o hidrogénio, as eólicas e outras matérias-primas mais verdes para produção de energia. 

Por outro lado, Duarte Cordeiro admitiu também que o Governo deve penalizar a procura de combustíveis fósseis, mas não pode ser insensível ao impacto dos preços dos combustíveis nos dias que correm.

“Não nos podemos tornar insensíveis à dimensão do impacto que isto tem nas famílias, acho que nem o ministro do Ambiente pode ser insensível a isso", afirmou,  questionado sobre o desconto no Imposto sobre os Produtos Petrolíferos (ISP) anunciado na segunda-feira pelo Ministério das Finanças.  

Preços da energia abaixo da inflação

A propósito dos preços da energia, Duarte Cordeiro garantiu que "o que se espera é que haja os mesmos cuidados" em 2024, ou seja, garantindo que os preços da eletricidade não subirão acima da inflação. Segundo o ministro, o regulador está ainda a trabalhar nas tarifas. "No que diz respeito à eletricidade para as empresas, o que se espera é que se retomem os preços anteriores à crise", acrescentou. 

Duarte Cordeiro na CNN Portugal Summit "A nova energia é verde" (Foto: Rodrigo Cabrita)

Já no gás, caso o preço se mantenha baixo, as medidas de apoio poderão "progressivamente começar a ser levantadas", admitiu.

Duarte Cordeiro lembrou ainda que Portugal é um dos poucos países que tem na lei de bases do Ambiente a meta de 2045 para a neutralidade carbónica e que o Governo tem de aumentar a ambição, sem voltar atrás. "Há países que estão a recuar, o nosso país nunca o fez nem durante a guerra, não usamos a guerra como subterfúgio para reverter decisões que tomámos", assegurou. 

O ministro frisou também que Portugal é o quarto país, a nível europeu, com mais renováveis na produção de energia elétrica e que o Governo está a negociar "um conjunto de investimentos significativos", do hidrogénio às refinarias de lítio, em várias zonas industriais e distintas regiões do país, sem querer alongar-se, por agora, sobre eventuais incentivos fiscais para esses investimentos.

Sobre o lítio, revelou que o Governo quer avançar com os projetos de exploração "dentro do que serão os limites que definimos nas declarações de impacto ambiental", assumindo que a decisão de explorar estas matérias-primas "é sempre difícil" mas que o Executivo procurará sempre retornos para as comunidades e territórios onde se realizar a exploração, procurando "reter valor".

Falando anda sobre eventuais alterações no Orçamento do Estado para o próximo ano, que será entregue no próximo mês de outubro, Duarte Cordeiro revelou que o Governo vai manter o incentivo à aquisição de veículos elétricos mas "focalizá-lo mais, não tendo um apoio tão disperso a todo o tipo de veículos". 

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