Estado injeta mais 160 ME na Efacec mas fecho da venda "é dia feliz" - TVI

Estado injeta mais 160 ME na Efacec mas fecho da venda "é dia feliz"

  • Agência Lusa
  • AM - atualizada às 14:38
  • 1 nov 2023, 12:38
António Costa e Silva (Lusa)

Ministro da Economia afirmou que a Mutuares tem o compromisso de manter o centro operacional e de decisões da Efacec em Portugal

Relacionados

O ministro da Economia revelou que o Estado vai injetar mais 160 milhões de euros na Efacec, acrescentando que este "é um dia feliz" por se concluir a venda da empresa ao fundo alemão Mutares.

Em conferência de imprensa no Ministério da Economia, António Costa e Silva disse que esta terça-feira foi assinada a venda da Efacec à Mutares e que esta injetará 15 milhões de euros em capital e 60 milhões de euros em garantias.

Já o Estado injetará mais 160 milhões de euros, anunciou. Até hoje, o Estado já tnha injetado 200 milhões de euros na empresa em suprimentos (10 milhões de euros por cada mês desde abril de 2022)

Costa e Silva destacou a importância de Efacec como “grande empresa tecnológica” para a economia portuguesa, referindo vários projetos em que está envolvida, acrescentando que deixá-la cair teria sido “desastroso para a economia portuguesa” e sobretudo para a região Norte.

“Teria um efeito desastroso na economia portuguesa e sobretudo na região norte, região do Porto e Matosinhos que já sofreu com o encerramento da refinaria da Galp. O colapso da Efacec teria efeitos devastadores”, disse.

O governante afirmou ainda que a Mutuares tem o compromisso de manter o centro operacional e de decisões da Efacec em Portugal.

Em 07 de junho, o Governo aprovou a proposta da alemã Mutares para a privatização da Efacec, sem revelar os valores envolvidos.

O Estado já injetou 132 milhões de euros na Efacec, a que se somam mais 85 milhões de euros em garantias.

Em abril, a Parpública anunciou ter recebido propostas vinculativas melhoradas de quatro candidatos à compra de 71,73% da Efacec, no âmbito do processo de reprivatização da empresa.

A Efacec, que tem sede em Matosinhos, conta com cerca de 2.000 trabalhadores.

Bancos e obrigacionistas com perdas de 35 milhões de euros na reprivatização

Os bancos e obrigacionistas credores da Efacec assumiram perdas de 35 milhões no âmbito da venda da Efacec ao fundo alemão Mutuares, segundo o secretário de Estado das Finanças.

Em conferência de imprensa a propósito da privatização da Efacec, João Nuno Mendes afirmou que esta foi uma operação complexa, com muitos problemas, mas que no fim teve “o carimbo da Comissão Europeia”.

“Não é ajuda de Estado, é operação de mercado”, disse.

O governante explicou que para a operação ser considerada de mercado, e não ajuda de Estado, teve de haver o contributo dos designados agentes do mercado, incluindo dos credores, que assumiram perdas.

Os bancos terão perdas de 29 milhões de euros e os obrigacionistas de seis milhões de euros.

“Os bancos têm ‘haircut’ [corte dos valores que tinham a receber] de cerca de 80% e obrigacionistas um ‘haircut’ de 10%”, explicou, por seu lado, o Ministro da Economia, António Costa e Silva, na conferência de imprensa no Ministério da Economia, em Lisboa.

A dívida perdoada pela banca é dívida não garantida pelo Estado.

O Governo não indica os bancos envolvidos mas, segundo a imprensa, trata-se sobretudo de Caixa Geral de Depósitos, BCP, Novo Banco, Eurobic e Montepio.

O Estado tinha nacionalizado a Efacec em 2020, ficando com 70% da empresa aquando do escândalo Luanda Leaks. A empresa era controlada indiretamente por Isabel dos Santos.

O secretário de Estado considerou que, sem a situação financeira limpa, a empresa não conseguiria comprador.

A empresa tem EBITDA (resultado operacional) e capitais próprios negativos, segundo o Governo, mas os governantes disseram acreditar na melhoria do seu negócio destacando que o fundo Mutares tem 30 empresas industriais no seu portfólio.

Os 160 milhões de euros agora injetados somam-se aos 200 milhões de euros que, até hoje, o Estado já pôs na empresa em suprimentos (10 milhões de euros por cada mês desde abril de 2022 sobretudo para custos fixos, como salários).

Ainda na esfera pública, o Banco de Fomento detém 35 milhões de euros em obrigações (convertíveis em capital) emitidas pela Efacec.

Ainda na venda ficou acordado que a Mutares fará uma injeção de 15 milhões de euros na Efacec.

Com a banca foram já acordadas operações de 'trade finance' (soluções de financiamento) no valor 94 milhões de euros (que terão de ser aumentadas consoante se desenvolva o negócio da empresa) e que Mutares dará garantias de 'trade finance' de 60 milhões de euros.

Continue a ler esta notícia

Relacionados