Do partido "à direita do Chega" ao partido que quer acabar com todos os impostos menos um: o debate de quem não está mas quer estar no Parlamento - TVI

Do partido "à direita do Chega" ao partido que quer acabar com todos os impostos menos um: o debate de quem não está mas quer estar no Parlamento

  • CNN Portugal
  • MJC
  • 21 fev, 00:23

Terça-feira foi noite de debate na RTP dos chamados "pequenos partidos". Contexto para isto: em 2019, no debate equivalente, estavam representantes de três partidos então muitos recentes: Livre, Iniciativa Liberal e Chega

Entre os dez partidos sem assento parlamentar que esta terça-feira à noite se juntaram na RTP para debater as suas propostas eleitorais, há quem considere que o que se passa na Ucrânia é "uma guerra civil" e Portugal não se deve intrometer (João Pinto, PCTP-MRPP); há quem ache que o SNS não deve pagar interrupções voluntárias da gravidez por vontade da mulher (Bruno Fialho, ADN); há quem considere que "o 25 de Abril foi a maior traição à história de Portugal" e por isso "não há nada para celebrar" (José Pinto Coelho, Ergue-te); e há quem diga que "a escola pública é para aprender Matemática, Português, Geografia" mas "não serve certamente para se substituir à autoridade dos país" e ensinar "ideologia de género" (Ossanda Liber, Nova Direita). Mas há dois temas em que todos parecem concordar: é preciso baixar os impostos; a governação socialista dos últimos oito anos não resolveu os problemas do país - pelo contrário, aprofundou as fragilidades na educação, na saúde, na justiça, nos transportes e em quase todas as áreas da vida dos portugueses.

Esta foi a única oportunidade que estes líderes partidários tiveram para expor as suas ideias aos portugueses na televisão e essa urgência foi bem visível no modo como responderam ao jornalista Carlos Daniel, muitas vezes ignorando as questões que eram feitas para aproveitar o tempo para tentar passar as suas visões para o país.

Márcia Henriques, do RIR - Reagir, Incluir, Reciclar, por exemplo, tem a tarefa de se apresentar aos eleitores em substituição do popular Tino de Rans. "O partido é o mesmo, os objetivos são os mesmos", esclareceu. "O Vitorino, apesar de ser uma pessoa muito inteligente, era muitas vezes incompreendido e até ridicularizado" e, nesse sentido, Márcia Henriques está convicta de que o RIR vai conseguir superar os resultados de 2019, que foram os seus melhores resultados. Sobre as propostas do seu partido, entre as preocupações com a justiça e necessidade de reforçar a economia para evitar a emigração dos jovens, a líder do RIR quis deixar claro que "os portugueses não se importam de pagar impostos se receberem em troca um serviço do Estado em condições", o que neste momento, disse, não está a acontecer em nenhuma das áreas importantes, como saúde, escola pública ou rede de transportes.

João Pinto, do PCTP-MPRPP, considerou que "metade dos portugueses não vota” porque “não acredita numa alternativa no atual quadro democrático" e aproveitou as suas intervenções para defender "uma sociedade sem competição mas em que as pessoas cooperam para resolver os problemas, uma sociedade comunista em que as pessoas são iguais". Uma das suas propostas é "acabar com todos os impostos menos um - sobre os rendimentos e a riqueza, esse seria fortemente progressivo", de forma a, defendeu, facilitar a vida dos mais pobres e repor alguma justiça.

Filipe Sousa, do JPP - Juntos Pelo Povo, oriundo da Madeira, quer ter um lugar na Assembleia da República para "encurtar os constrangimentos da insularidade", ao mesmo tempo que defende o reforço das autonomias regionais. Também da Madeira, José Manuel Coelho, do Partido Trabalhista Portugues (PTP), defendeu que é preciso aumentar salários e pensões.

Bruno Fialho, da ADN - Aliança Democrática Nacional, manifestou a sua preocupação em "acabar com a roubalheira": quer "retirar do Parlamento todos os politicos que têm roubado este país, mentido aos portugueses, dizendo que não há dinheiro para nada mas afinal há dinheiro para tudo, para dar aos países em guerra, para dar aos imigrantes, para festas". "Aquelas senhores que trabalham na Assembleia da República são meus funcionários, eu pago para eles estarem lá", afirmou e repetiu, mesmo quando o moderador tentou explicar que não são nossos funcionários, são nossos representantes.

A par da ideia de que "primeiro temos de suprir as nossas necessidades e só depois ajudar os outros", e portanto ser contra a ajuda à Ucrânia ou a outros países, Bruno Fialho manifestou-se contra a interrupção voluntária da gravidez e contra o que diz ser "ideologia de género": "Ideologias nas escolas não devem ser permitidas, as crianças estão na escola é para aprender, não é para serem doutrinadas por extremistas lobistas". Afirmou ainda que a "redução global dos impostos é necessária, sobretudo para as famílias".

Nuno Afonso, da Alternativa 21, sublinhou que este é um partido "conservador, de direita", que se propõe  a "limpar a direita" - o que "inclui também o Chega, se entendermos que o Chega neste momento é da direita, tenho dúvidas sobre isso". "Queremos ser a alternativa e ser uma voz ativa na direita."

Inês Bravo Figueiredo defendeu as ideias do Volt, que é um partido europeu e por isso quer trazer para Portugal "aquelas que são as melhores práticas da Europa - só temos de usar as boas soluções que eles já implementaram", como por exemplo - e enumerou - aumentar o salário médio país, aumentar o parque habitacional público com rendas controladas, apostar na mobilidade, investir em indústrias inovadoras e melhorar a eficácia da administração pública.

José Pinto Coelho, do Ergue-te, começou por lembrar que este partido "é o PNR só que mudou de nome" e que tem como "temas caros a pátria, a vida e a família".  Referiu-se à ponte sobre o Tejo como "Ponte Salazar". "Ponte 25 de Abril", corrigiu Carlos Daniel. "Eu chamo-lhe Salazar", insistiu. Além de "lamentar" o 25 de Abril, José Pinto Coelho manifestou-se contra o direito à greve, contra a lei do aborto e a eutanásia, declarou que por sua vontade "matava a ideologia de género de alto a baixo" e defendeu que "a nacionalidade herda-se, não se atribui na secretaria". 

Igualmente insatisfeito com o regime em que vivemos, mas no extremo oposto do espectro, está Joaquim Costa Afonso, do Nós, Cidadãos, que criticou a toda classe política, sobretudo os governantes dos últimos anos: "Eles são eleitos é para se portarem bem, para cumprir os mandatos", disse. António Costa "fez bem" em demitir-se, "não deveria é ter-se portado mal como o resto da pandilha". O Nós, Cidadãos quer acabar com a corrupção, com as cunhas e com a promiscuidade na política e tem como principal bandeira "abrir o Parlamento a organizações da sociedade civil que não sejam partidos politicos", que possam dignificar a atividade política.

Ossanda Liber, da Nova Direita, garante que o seu partido poderá "preencher o fosso" que existe atualmente entre o PSD e o Chega e está disponível para fazer a mediação entre estes dois partidos para criar uma "frente de direita". Com propostas liberais na economia - defende que é preciso reduzir os impostos para dar uma nova dinâmica à economia -, a Nova Direita apresenta-se como bastante conservadora nos costumes e a sua principal preocupação é com a baixa natalidade no país e o facto de não estarem a "nascer novos portugueses para renovar a população": "Não é normal que um país assente todas as suas expectativas na imigração", por isso, caso chegue ao Parlamento, uma das sua primeiras medidas será de incentivo à natalidade - para apoiar as famílias, que são "o pilar da sociedade".

Como contexto para este debate: em 2019, no debate dos pequenos partidos, estavam representantes de três partidos então muitos recentes: Livre, Iniciativa Liberal e Chega - que nesse ano entrariam para o Parlamento.

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