O homem mais rico do mundo passou esta quarta-feira o testemunho da Dior à sua primogénita. Após ultrapassar Elon Musk como o homem mais rico do mundo em dezembro, Bernard Arnault, com 73 anos e CEO da empresa francesa de artigos de luxo LVMH, nomeou Delphine Arnault, de 47 anos, CEO da Christian Dior.

A nomeação reforça o controlo da família Arnault sobre o grupo empresarial que detém mais de 75 marcas no segmento de luxo, entre as quais Tiffany & Co., Christian Dior, Fendi, Givenchy, Marc Jacobs, Loewe, Sephora, TAG Heuer ou Bulgari.

A reorganização da administração também incluiu um novo CEO para a Louis Vuitton. Pietro Beccari, até agora o líder da Dior desde 2018, passa aos comandos da Louis Vuitton, substituindo Michael Burke, de 65 anos. Burke irá permanecer no grupo empresarial, embora não seja explícito quais são as suas novas funções, conforme avança a Reuters.

As alterações irão entrar em vigor já em fevereiro e sucedem-se à recente nomeação de Antoine Arnault, outro filho de Bernard Arnault, enquanto líder da Christian Dior SE, a empresa holding que controla a maior fatia da participação da família Arnault na LVMH. Apesar disto, o homem mais rico do mundo não tem intenções de se reformar e poderá mesmo permanecer CEO da LVMH até aos 80 anos, visto que em 2022 a LVMH aumentou a idade limite do seu CEO.

Todos os filhos de Bernard Arnault ocupam cargos de gestão em marcas da LVMH, sendo que as recentes nomeações seguem uma tendência verificada junto das maiores empresas na indústria da moda europeia. Dos cinco filhos de Bernard Arnault, Delphine tem sido a mais envolvida no mundo da moda e assume agora a liderança da segunda maior marca do grupo LVMH.

Delphine Arnault - Evento Louis Vuitton Celebrating Monogram em Nova Iorque (2014)

De acordo com a página institucional do grupo, a filha mais velha do magnata francês nasceu a 4 de abril de 1975 e começou a sua carreira como consultora de estratégia internacional na empresa de consultoria McKinsey, onde ficou por dois anos.

Em 2000, entra formalmente na indústria da moda através da empresa do designer britânico John Galliano e, um ano depois, passa a integrar o comité executivo da Christian Dior, onde ficou como vice-diretora até agosto de 2013.

Desde 2013 que Delphine é vice-presidente executiva da Louis Vuitton, sendo a responsável pela supervisão de todas as atividades relacionadas com os produtos da marca. Adicionalmente, ela é ainda membro do conselho de administração da LVMH e do seu comité executivo.

Bernard Arnault descreve Delphine como uma profissional capaz de tomar as rédeas da Dior: "Sob a liderança da Delphine, a desejabilidade dos produtos Louis Vuitton aumentou significativamente, permitindo que a marca estabelecesse novos recordes de vendas”, cita o The Guardian.

Adicionalmente, o homem mais rico do mundo acrescentou que a “perceção aguçada” da filha, bem como a sua “experiência incomparável” irão impulsionar o desenvolvimento contínuo da marca de luxo.

A primogénita do magnata francês juntou-se ainda ao conselho da LVMH em 2003, um feito que na altura ficou marcado por Delphine ser não só a primeira mulher do conselho, bem como a mais nova. Agora, com a recente nomeação, Delphine regressa à Dior, a empresa onde começou a trabalhar no calçado de luxo.

A filha mais velha de Bernard Arnault ganhou mediatismo por minimizar as consequências dos comentários racistas e anti-semitas de John Galliano em 2011, que, por sua vez, garantiram ao designer uma demissão e condenação. A herdeira do magnata francês sempre referiu não ter sido muito exposta às marcas ou à riqueza da família durante a infância, embora admita ter recebido a sua primeira mala Louis Vuitton aos 18 anos.

Delphine Arnault é casada com Xavier Niel, um multimilionário francês ligado à indústria das telecomunicações, coproprietário do jornal Le Monde e dono de uma coleção de ativos que inclui os direitos da música My Way de Frank Sinatra.

A herdeira da Dior formou-se na Escola de Economia de Londres, e irá assumir a liderança de uma empresa no valor de cerca de 387 mil milhões de euros em bolsa, segundo o elEconomista. De acordo com os últimos dados divulgados, a LVMH faturou 56,5 mil milhões de euros nos primeiros nove meses de 2022, superando a gigante alimentar Nestlé.

A Dior vai, inclusive, abrir este ano a sua primeira loja própria em Portugal no número 85 da Avenida da Liberdade, avançou na passada terça-feira o Observador. A marca francesa irá ocupar três dos sete andares do respetivo edifício, ficando ao lado de marcas como Louis Vuitton, Prada ou Michael Kors.

Filipe Maria