Dez anos depois de terem sido listados nove processos biológicos associados ao envelhecimento do organismo, duas equipas de cientistas das universidades de Oviedo e Paris descobriram mais três, sendo agora 12 os fatores que podem acelerar este processo natural e trazer mais cedo doenças.

O estudo publicado na Cell Metabolism permitiu perceber que a autofagia (processo catabólico celular que leva à degradação de componentes das células, uma espécie de reciclagem celular), a disbiose (alteração no microbioma, seja na comunicação entre microrganismos ou alterações na sua composição) e a inflamação crónica (que resulta numa sobrecarga continuada do sistema imunitário no combate, por exemplo, de infeções ou níveis elevados de stress) são também gatilhos para o envelhecimento e, por consequência, para a perda de saúde e qualidade de vida à medida que os anos vão passando. Conta o El Mundo que há já mais dois fatores na calha, mas os investigadores optam por não os mencionar ainda.

Em 2013, na revista Cell, os cientistas já tinham enumerado nove fatores que contribuem para o envelhecimento. São eles: instabilidade genómica, desgaste da telomerase (enzima que adiciona sequências específicas e repetitivas de ADN), alterações epigenéticas, perda de proteostase (rede que, entre outras funções, leva à degradação de proteínas presentes dentro e fora das células), desregulação de nutrientes, disfunção mitocondrial, senescência celular (processo natural de envelhecimento das células), esgotamento de células-tronco, comunicação intercelular alterada.

Apesar de nem sempre ser possível controlar a ação destes agentes de envelhecimento, os cientistas explicam que, em alguns casos, o estilo de vida pode fazer diferença, sobretudo a alimentação variada e equilibrada, que tem impacto direto no microbioma intestinal e, por consequência, na disbiose. Procurar ter um estilo de vida isento de stress pode também ser uma mais-valia para travar a inflamação crónica, evitando, assim, um ‘desgaste’ do organismo por pressão no sistema imunitário.

Além de defenderem que as pessoas devem adotar estilos de vida saudáveis para, pelo menos, atenuar os processos naturais de envelhecimento e evitar aqueles que derivam de hábitos, a equipa descobriu a existência de bactérias pró-longevidade, que podem ajudar a que o envelhecimento seja menos agressivo. 

CNN Portugal / DCT