Equador rejeita “categoricamente” receber os hipopótamos de Pablo Escobar - TVI

Equador rejeita “categoricamente” receber os hipopótamos de Pablo Escobar

  • Agência Lusa
  • BC
  • 8 mar 2023, 09:19
Hipopótamos flutuam no lago do Parque Hacienda Napoles, que já foi propriedade privada de Pablo Escobar, que, há décadas, importou três hipopótamos fêmeas e um macho.

Pablo Escobar, célebre traficante, importou os primeiros quatro hipopótamos para a Colômbia em 1984. Após a sua morte, animais encontraram um novo lar nas planícies de Magdalena Medio, mas são uma ameaça à fauna, flora e habitantes do local

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O Equador rejeitou “categoricamente” receber os hipopótamos que a Colômbia está a analisar enviar para outros países, após dezenas terem nascido no centro do país, depois do narcotraficante Pablo Escobar ter importado os primeiro quatro em 1984.

"Um sonoro não, porque a entrada de espécies exóticas é proibida por lei, a não ser que a autoridade ambiental tenha condição ‘sine qua non’ de excelência, para investigação, ciência, extração de material genético para a cura de alguma coisa, [e] isso não é o caso", sublinhou o ministro do Meio Ambiente, Água e Transição Ecológica equatoriano à agência Efe.

Gustavo Manrique destacou que importar os hipopótamos “não faz sentido” e geraria compromissos com a alimentação, custódia ou infraestrutura, sublinhando que existem “muitas outras necessidades, em outras áreas, para alocar recursos dos hipopótamos”.

O ministro equatoriano desejou "boa sorte à Colômbia”, lembrando que este país tem “um grande problema".

A reforma do código ambiental orgânico do Equador em dezembro de 2021 tornou a importação de fauna exótica expressamente proibida, acrescentou.

O ministro equatoriano referiu ainda que um homólogo africano, que não identificou, lhe transmitiu recentemente que a população de hipopótamos diminuiu numa zona do seu país e manifestou vontade em receber indivíduos desta espécie.

“Mas é aí que entram os desafios económicos: quanto custa mandar um hipopótamo vivo para a África, quem paga?”, questionou Gustavo Manrique.

Na semana passada, as autoridades colombianas revelaram que estavam a avaliar a possibilidade de enviar para o México, Índia e Equador 72 hipopótamos que nasceram no centro do país.

O responsável do gabinete de gestão da biodiversidade da autoridade regional das Bacias dos Rios Negro e Nare (Cornare), David Echeverry, explicou, na altura, que estavam a decorrer contactos para "a possível saída de hipopótamos" da Colômbia.

“Na Índia, disseram-nos que podem receber até 60 hipopótamos, no México têm capacidade para receber até 10 e o Equador expressou a possibilidade de receber dois hipopótamos”, explicou.

Hipopótamos do zoo de Escobar tornaram-se "perigo" para fauna

No auge do seu império criminoso, Escobar construiu um zoológico na sua Fazenda Nápoles de 3.000 hectares, localizada em Puerto Triunfo, no departamento de Antioquia.

O famoso narcotraficante importou para aquele local animais exóticos de todo o mundo, causando impacto pela extravagância da propriedade, onde instalou no portão de entrada um pequeno avião que simbolizava o meio de transporte dos seus carregamentos de cocaína para os Estados Unidos.

Após a sua morte em 1993, e com o fim do seu cartel de drogas, os animais do zoológico de Escobar ficaram sem controlo, num ambiente que não era o seu e encontraram um novo lar nas planícies de Magdalena Medio, ao qual rapidamente se acostumaram, devido às condições favoráveis do terreno, irrigado pelas águas do rio Magdalena, o principal da Colômbia.

Porém, com o passar do tempo, os hipopótamos tornaram-se um perigo para a fauna, flora e camponeses da região, um dos quais sofreu ferimentos graves ao ser atacado em 2020 quando fumigava um pasto.

O governador de Antioquia, Aníbal Gaviria, também assinalou na semana passada o interesse em realocar um grupo de 70 hipopótamos para santuários naturais em outros países.

Gaviria aguarda a aprovação do Governo para “acelerar a autorização e atingir este fim, que é ambiental, de defesa e proteção dos animais”.

Entre as preocupações dos investigadores que estudam esta população de hipopótamos está "que esta continue a aumentar” conforme indicam as projeções e os modelos definidos, alertou em abril do ano passado, à agência Efe, María Piedad Baptiste, cientista do Instituto Humboldt.

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