Os Estados Unidos iniciaram esta quarta-feira uma nova vaga de ataques contra múltiplos alvos no Irão, pelo segundo dia consecutivo, anunciou o Comando Central das Forças Armadas norte-americanas (CENTCOM).
Numa publicação na rede social X, o CENTCOM afirmou que a operação foi desencadeada em resposta àquilo que classificou como a “agressão injustificada e contínua do Irão”.
“As forças do Comando Central dos EUA começaram hoje, às 22:15 horas (17:15 da Costa Leste dos Estados Unidos), a lançar ataques adicionais de autodefesa contra múltiplos alvos no Irão, por ordem do Comandante-em-Chefe”, declarou o comando militar.
As autoridades norte-americanas apresentam os ataques como uma forma de pressionar Teerão a aceitar um acordo para pôr termo ao conflito entre os dois países. Contudo, a operação aumenta também o risco de uma escalada militar mais ampla na região.
Em declarações à Fox News, Trump garantiu que os caças norte-americanos estão a operar no espaço aéreo iraniano e revelou ter falado diretamente com responsáveis iranianos.
Segundo o presidente dos EUA, Teerão pediu a Washington que suspendesse os bombardeamentos, acrescentando que os ataques deverão terminar em breve. Ainda assim, o presidente norte-americano deixou em aberto a possibilidade de novas ações militares contra o Irão.
Trump garantiu também que Israel não esteve envolvido nos ataques realizados pelos Estados Unidos contra alvos iranianos.
Contudo, esta versão é contrariada por Teerão. Os meios de comunicação estatais iranianos citam um alto responsável iraniano que nega que autoridades do país tenham tido contacto com Donald Trump.
Instalações críticas foram alvo
Pouco antes do início dos bombardeamentos, o secretário da Defesa dos EUA, Pete Hegseth, afirmou que Washington iria atingir “instalações críticas” no Irão.
“O Comando Central vai estar muito ocupado esta noite porque o Presidente Trump disse que vamos atingir o Irão com força, e vamos fazê-lo”, declarou Hegseth junto à sede do CENTCOM, em Tampa, na Florida. Segundo o responsável, Teerão teve a oportunidade de chegar a um acordo, mas não aproveitou essa possibilidade.
“Em vez de estarem a bater à porta de um acordo, vão ouvir bombas a cair sobre instalações-críticas no Irão por parte dos Estados Unidos da América”, acrescentou.
Hegseth sublinhou que os ataques não têm como objetivo “reiniciar” um conflito mais vasto, mas sim criar condições para alcançar o tipo de acordo exigido por Donald Trump. Ainda assim, advertiu que os bombardeamentos desta noite seriam “fortes” e que, caso fosse necessário repetir a operação na noite seguinte, esta voltaria a ser “forte e clara”.
Também esta quarta-feira, Trump acusou o Irão de ter demorado “demasiado tempo” a negociar e anunciou novos ataques.
“Vamos atacá-los, atacá-los com muita força”, afirmou o presidente norte-americano na Sala Oval. “Atingimo-los duramente ontem. Vamos voltar a atingi-los duramente hoje.”
Os ataques da véspera ocorreram depois de um helicóptero norte-americano ter sido atingido por um drone iraniano. Os dois tripulantes foram obrigados a amarar ao largo de Omã e acabaram resgatados cerca de duas horas mais tarde por uma embarcação não tripulada dos Estados Unidos, segundo o CENTCOM.
Entretanto, os meios de comunicação iranianos relataram explosões em várias regiões do país. A agência Mehr noticiou incidentes em Minab, Sirik e na zona oeste de Teerão, onde os sistemas de defesa antiaérea foram ativados. Ambas as regiões encontram-se nas proximidades do Estreito de Ormuz.
Foi também ouvida uma explosão na cidade portuária de Bandar Abbas, segundo os meios estatais iranianos, que não avançaram mais detalhes sobre o incidente.
A imprensa iraniana noticiou igualmente a ativação dos sistemas de defesa antiaérea em Asaluyeh, embora tenha acrescentado que, até ao momento, não foi registado qualquer ataque inimigo contra este importante centro energético.
Asaluyeh, situada na Província de Bushehr, no sul do país, é uma cidade portuária localizada na costa norte do Golfo Pérsico e alberga algumas das principais refinarias e instalações petroquímicas iranianas. É uma região tida como estratégica para a indústria energética do Irão, concentrando infraestruturas ligadas à exploração e processamento de gás natural e petróleo.
A agência estatal IRNA informou ainda que existiram explosões registadas nas ilhas de Qeshm e Hengam foram provocadas por “projéteis de natureza militar”.
Já de madrugada, o comando militar conjunto do Irão declarou o encerramento do Estreito de Ormuz à navegação marítima. Teerão afirmou que qualquer navio que tente furar o bloqueio "será alvo" das forças iranianas e esclareceu que o encerramento engloba petroleiros e navios comerciais.