O consumo de duas ou mais chávenas de café por dia (cerca de 230 ml) pode duplicar o risco de morte por doença cardiovascular em pessoas que têm hipertensão severa, isto é, a tensão arterial acima dos 160/10 mmHG (hipertensão de nível 2, já considerada grave). A conclusão é de um recente estudo da Associação Americana do Coração e publicada na revista Journal of the American Heart Association.

O impacto potencialmente negativo do consumo de cafeína em pessoas com tensão arterial alta não é uma novidade no campo científico, mas esta investigação vem reforçar que nem toda a cafeína é igual, pois a mesma quantidade de chá verde não se mostrou tão arriscada como a de café. 

De acordo com a investigação, o consumo de duas ou mais chávenas de café por dia não se mostrou, porém, arriscado para pessoas com hipertensão de nível 1, isto é, com tensão arterial na ordem dos 140-159/90-99 mmHG. O consumo de apenas uma chávena não foi associado a aumento do risco de morte por doença cardiovascular em qualquer nível de tensão arterial.

Em causa, dizem os cientistas, está a quantidade de cafeína que estas bebidas têm: uma chávena de café pode ter entre 80 a 100 ml de cafeína, ao passo que uma chávena de chá verde tem apenas entre 30 a 50 ml.

“Pelo que sabemos, este é o primeiro estudo a encontrar uma associação entre o consumo de duas ou mais chávenas de café por dia e a mortalidade por doenças cardiovasculares entre pessoas com hipertensão grave”, dizem os investigadores, que reforçam ainda que “estas descobertas podem apoiar a afirmação de que as pessoas com hipertensão grave devem evitar beber café em excesso”.

Além da associação entre o consumo de café e o risco de morte, o estudo indica ainda que as pessoas que têm um hábito de consumo mais frequente de café tendem a ser mais jovens, fumadoras, consumidoras de bebidas alcoólicas e com um menor hábito de ingestão de vegetais. Além disso, os consumidores de café tendem, segundo o estudo, a apresentar níveis de colesterol total mais altos e pressão arterial sistólica mais baixa, independentemente da categoria de pressão arterial.

Para o estudo, foram analisados dados médicos e de estilo de vida, desde 2009, de 18.609 pessoas no Japão, 6.574 do sexo masculino e 12.035 do sexo feminino, com idades entre os 40 e os 79 anos. Durante os 19 anos de estudo foram documentadas 842 mortes relacionadas com doenças cardiovasculares.

CNN Portugal / DCT