A companhia Ethiopian Airlines realizou o seu primeiro voo comercial em 18 meses entre Adis Abeba e a capital da conturbada região do Tigray, isolada do mundo desde junho de 2021, dois meses após a assinatura de um cessar-fogo.

"Estamos sinceramente encantados com o reinício dos nossos voos para Mekele", disse Mesfin Tasew, diretor executivo do grupo aéreo nacional da Etiópia, na terça-feira.

"O reinício destes voos permitirá às famílias reunirem-se, facilitará a restauração das atividades comerciais, estimulará os fluxos turísticos e trará muitas outras oportunidades que servirão a sociedade", acrescentou.

Na quarta-feira, os passageiros do Tigray foram recebidos pelos seus familiares com longos abraços, flores e lágrimas de alegria no Aeroporto Internacional de Adis Abeba. Segundo uma estação de televisão próxima do Governo, a Fana Broadcasting Corporate, o voo partiu a meio do dia. 

Getachew Reda, porta-voz do governo regional de Tigray, disse que um avião da Ethiopian Airlines tinha aterrado no aeroporto de Mekele. Uma estação de televisão próxima dos rebeldes, Tigray TV, transmitiu imagens de passageiros ajoelhados e a beijar o asfalto ao chegarem à capital do Tigray.

Este primeiro voo acontece quase dois meses após o Governo etíope e os rebeldes do Tigray terem assinado um acordo em 02 de novembro para pôr fim à guerra que assola a região norte da Etiópia há mais de dois anos.

A maior companhia aérea africana disse que tinha voos diários regulares para Tigray e que iria aumentar a frequência dependendo da procura.

Para Kindeya Gebrehiwot, outro responsável no Tigray, este primeiro voo comercial desde junho de 2021 foi um "marco".

O evento deu-se na sequência da visita de uma delegação do Governo etíope à capital do Tigray, na segunda-feira. Esta primeira visita oficial em mais de dois anos marcou um passo importante no processo de paz lançado em novembro.

A movimentação nos aeroportos é vista como mais um sinal da normalização das relações entre as autoridades federais e a antiga zona rebelde, que têm vindo a dar passos importantes neste sentido.

A capital, Mekele, foi ligada à rede elétrica nacional em 06 de dezembro, o CBE, o principal banco do país, anunciou a 19 de dezembro o reinício das suas operações em algumas cidades, e as comunicações telefónicas com a região começaram a ser restabelecidas.

O acordo de paz assinado em 02 de novembro prevê o desarmamento das forças rebeldes, a restauração da autoridade federal em Tigray e a reabertura do acesso e das comunicações à região, que tem estado isolada do mundo desde meados de 2021.

Os combates começaram em novembro de 2020, quando o primeiro-ministro etíope, Abiy Ahmed, enviou o exército para prender líderes do Tigray que tinham desafiado a sua autoridade durante meses e que ele acusava de terem atacado bases militares federais.

O impacto exato deste conflito pautado por abusos, que ocorreram em grande parte a portas fechadas, é desconhecido, precisamente pela falta de acesso à região. Mo entanto, o centro de reflexão International Crisis Group e a organização não-governamental (ONG) Amnistia Internacional descreveram-no como "um dos mais mortais do mundo".

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