Euro 2024: Dinamarca-Sérvia, 0-0 (crónica) - TVI

Euro 2024: Dinamarca-Sérvia, 0-0 (crónica)

Desespero sérvio foi insuficiente para dobrar o calculismo nórdico

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O calculismo, a preocupação e o desespero (sérvio) impediram Munique de assistir a uma partida memorável no encerramento do Grupo C. Na noite desta terça-feira, Dinamarca e Sérvia anularam-se, naquele que foi o primeiro encontro entre as seleções num Europeu.

A Allianz Arena foi tomada pelos sérvios, que almejavam um triunfo inédito e o bilhete para os oitavos de final. Todavia, os comandados de Stojkovic foram incapazes de dominar o encontro até aos derradeiros minutos. Depois, o desespero prevaleceu, mas o ataque teve pólvora seca.

Entre os dinamarqueses, Hjulmand – o aniversariante do dia – e Bah foram titulares, deixando a partida ao cabo de 77 minutos.

Recorde, aqui, o filme deste encontro.

De olho no topo do Grupo C, a Dinamarca assumiu a iniciativa ofensiva, repartindo a construção por Bah, Hjulmand, Eriksen e Hojlund, variando dos flancos para o meio, geralmente com recurso a passes curtos.

Por sua vez, a Sérvia procurou servir Mitrovic. Todavia, os passes bombeados eram «rebuçados» para a defesa contrária, uma vez que o ponta de lança permaneceu desapoiado. Isto porque a estratégia de contenção dos dinamarqueses fustigou Mitrovic, sem trunfos para visar a baliza de Schmeichel. Em simultâneo, a pressão de Vestegaard, ao milímetro, «silenciou» o avançado.

Ao cabo de 17 minutos, a primeira oportunidade de golo, algo raro neste encontro. Após cruzamento de Maehle, pela esquerda, o ala – do Benfica – cabeceou por cima.

Entre cantos, cruzamentos e duelos, Rajkovic foi figura maior até ao intervalo, travando as investidas nórdicas, sobretudo de Eriksen e Hojlund.

 

Aquando da pausa, Hjulmand teria a lamentar um cartão amarelo – que o afasta dos «oitavos» – enquanto Hojlund estaria a rever as marcas dos inúmeros duelos com os defesas sérvios.

Risco sérvio, mas sem proveito

Na etapa complementar, Stojkovic fez o natural «all-in», avançando unidades e reforçando o ataque, com Tadic, Jovic, Vlahovic e Milinkovic-Savic. Contudo, o desespero não permitiu à Sérvia desatar o nó. O melhor que conseguiram foi marcar, aos 53m, mas Jovic estava em fora de jogo.

 

Nos derradeiros minutos, Savic rematou à figura de Schmeichel. O mesmo fim tiveram os sucessivos – e irracionais – cruzamentos para o coração da pequena área.

A Dinamarca soube sofrer e defendeu com 11 unidades, garantindo a vice-liderança do Grupo C, com três pontos. Igualados em pontos, golos e cartões amarelos com a Eslovénia, os nórdicos foram superiores graças à classificação na fase de qualificação.

Assim, a Dinamarca – sem Hjulmand – jogará ante a Alemanha, em Dortmund, na noite de sábado (20h). O vencedor desse encontro poderá cruzar destinos com a Espanha. Bastaram dois golos marcados, e três empates, para a Dinamarca seguir em prova.

No último Euro, em 2021, os nórdicos alcançaram as meias-finais, deixando País de Gales e Chéquia pelo caminho. A campanha terminou às mãos da Inglaterra, no prolongamento.

Quanto à Sérvia, entre polémicas no seio do grupo e demoras em jogar ao ataque, a criatividade e a veia goleadora foram nulas. Já o desespero – disfarçado de paixão – pautou esta campanha. Desta «águia bicéfala» apenas recebemos a face a menos boa.

A figura: Eriksen

Numa partida escassa em oportunidades, o médio permaneceu tranquilo, galvanizando a seleção para o ataque, na companhia de Hjulmand. Esta noite subiu ao trono das internacionalizações pela Dinarmarca (133). Aos 32 anos, a classe e a tranquilidade são «vinho da casa», um dos principais cartões de visita desta Dinamarca.

Ao cabo de 88 minutos, o médio acumulou 69 toques, dois remates e 39 passes concretizados em 50 tentados.

Ante a Alemanha, Eriksen estará no centro das atenções, até pela ausência de Hjulmand. Em todo o caso, e pelo jogo com a Suíça, os nórdicos receberam notas evidentes sobre como conter – até travar – os anfitriões deste Europeu.

O momento: o apito final

Esperava-se emoção e espetáculo. Tivemos, apenas, divididas, sobretudo longe da bola. Houve bastante agressividade, mas pouco brilho. O calculismo nórdico pouco foi incomodado pelo desespero sérvio.

Nove jogos depois, apenas sete golos. Cinco empates e uma vitória, de Inglaterra. Deste Europeu, o Grupo C não deixará saudades.

 

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