A autoridade grega anti-branqueamento de capitais pediu informações às autoridades correspondentes no Panamá sobre alegadas remessas de dinheiro do Catar para contas da ex-vice-presidente do Parlamento Europeu Eva Kaili e do seu companheiro, Francesco Giorgi.

De acordo com a imprensa grega, o presidente desta autoridade, Jarálambos Vurliotis, enviou uma carta a solicitar urgentemente informações sobre alegadas transferências no valor de 28 milhões de dólares do Catar para contas abertas pelo casal e familiares.

A questão da existência destes depósitos no Panamá surgiu com a publicação na internet do conteúdo de documentos supostamente pertencentes ao Banco Bladex do Panamá mostrando a transferência de 20 milhões do Catar para uma conta em nome de Eva Kaili, quatro milhões para uma conta em nome do seu pai e outros quatro milhões para uma conta em que a sua mãe, Maria Ignatiadu, aparece como titular.

O advogado de Kaili na Grécia, Mikhalis Dimitrakópulos, questionou desde o início a autenticidade dos documentos em questão, argumentando que são "manifestamente e obviamente falsificações".

Kaili e Giorgi estão atualmente em prisão preventiva em Bruxelas, ambos acusados dos crimes de participação em organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção no âmbito das investigações a um alegado esquema de subornos no Parlamento Europeu pelo Catar e por Marrocos, conhecido como ‘Catargate’.

Em 12 de dezembro, a autoridade grega anti-branqueamento de capitais tinha já apreendido propriedades, contas bancárias e participações em empresas de Eva Kaili e dos seus familiares mais próximos na Grécia, para localizar e bloquear rapidamente a possível transferência de dinheiro ou propriedades que pudessem servir para provar o crime de suborno ou lavagem de dinheiro.

A investigação criminal na Grécia aborda apenas os alegados crimes cometidos por Kaili que as autoridades belgas não incluíram na acusação contra a eurodeputada, já que ninguém pode ser acusado ou processado duas vezes pelo mesmo crime.

A socialista grega foi afastada da vice-presidência do Parlamento Europeu.

Além do seu companheiro, assistente parlamentar no Parlamento Europeu, foi também envolvido no processo o pai da eurodeputada, Aléxandros Kailis, que foi preso, no dia 09, num hotel de Bruxelas, com uma mala cheia de dinheiro com a qual pretendia fugir.

/ WL