Ex-combatentes anunciam greve de fome a partir de 17 de agosto - TVI

Ex-combatentes anunciam greve de fome a partir de 17 de agosto

  • Agência Lusa
  • AM
  • 22 jul, 16:43
Concentração de antigos combatentes da guerra do ultramar no Porto (FERNANDO VELUDO/LUSA)

Este sábado, durante a tarde, cerca de 50 antigos combatentes concentraram-se na Praça Carlos Alberto, junto do Monumento do Soldado Desconhecido, no Porto

Cerca de meia centena de antigos combatentes da Guerra Colonial protestaram este sábado no Porto contra o incumprimento do Estatuto do Antigo Combatente e anunciaram uma greve de fome a partir de 17 de agosto junto do Palácio de Belém, em Lisboa.

António Silva, da Comissão Pró Dignidade do Estatuto do Antigo Combatente (EAC), disse à Lusa que 100 antigos combatentes da Guerra Colonial (1961-1974) vão entrar em “greve de fome às portas da Presidência da República” a partir do dia 17 de agosto.

O primeiro dia de greve de fome é a 17 de agosto, disse o ex-combatente da Guerra Colonial, acrescentando que os grevistas só saem da porta do Palácio de Belém quando o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, for ao Ministério de Defesa Nacional e pedir para ser revogado o Estatuto do Antigo Combatente.

“Exigimos que o estatuto seja revogado, porque não está a ser cumprido. A Constituição [da República] em Portugal não está a ser cumprida”, declarou António Silva.

Segundo António Silva, o estatuto não está a ser cumprindo a vários níveis, seja nos museus, transportes ou dificuldade em aceder aos cartões de Antigo Combatente (AC).

“Metade dos cartões do ex-combatentes ainda não foram entregues”, disse, referindo que muitos antigos combatentes estão a falecer sem acesso ao cartão de combatente”.

Outro exemplo elencando foi o caso de antigos combatentes de Bragança que não conseguem andar de transportes públicos, porque os passes dados são intermodais, mas deviam dar passes a “título nacional”.

Os museus, que deviam ser gratuitos para os antigos combatentes, muitos dos antigos combatentes estão a ser obrigados a pagar os ingressos, como está a suceder no Monumento ao Combatente do Ultramar, em Belém (Lisboa), em que têm de pagar, exemplificou António Silva, referindo que tem havido problemas e até já foi “chamada a polícia”.

Outro exemplo é o dos combatentes negros que estiveram a combater ao lado dos portugueses e que estão com “graves problemas de saúde e ninguém quer saber deles”, acrescentou, reconhecendo que se não fossem esses homens negros das ex-colónias que tiveram “13 anos de guerra”, os portugueses quando lá chegavam “morreriam lá todos”.

Os 100 antigos combatentes que vão entrar em greve de fome a partir de 17 de agosto têm idades compreendidas entre os 70 e os 86 anos, são residentes em todo o país, sendo que 34 deles estão a viver em Lisboa, 12 do Porto.

“O mais velho tem 86 anos”, conferiu António Silva.

A greve vai decorrer junto ao Palácio de Belém "até que o Presidente da Republica e Comandante Supremo das Forças Armadas, Marcelo Rebelo de Sousa, tome uma posição no cumprimento do estatuto do combatente".

Este sábado, durante a tarde, cerca de 50 antigos combatentes concentraram-se na Praça Carlos Alberto, junto do Monumento do Soldado Desconhecido, onde se podia ler frases em cartazes como “Respeitem os combatentes do Ultramar. Não os desprezem” ou “Guardiões da Pátria. Combatentes das guerras ultramarinas, últimos heróis do império . Fomos combatentes pela nação e para a guerra fomos mandados. Merecemos dignidade e gratidão. Direitos que nos são recusados”.

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