Felipe Breassamin Pereira, youtuber basileiro conhecido como Felca, denunciou vários casos de abuso da imagem de menores através das redes sociais. Um dos casos é o de Kamylinha, que começou a trabalhar com o influencer Hytalo Santos quando tinha apenas 12 anos. “Ela faz espetáculos para adultos vestida de minissaia, com danças sensuais, rodeados de drogas e álcool, com homens adultos a olhar e que pagaram para ver o espetáculo. Uma menor sexualizada”, explica Felca.
O vídeo, intitulado “Adultização”, expõe ainda outros casos, como o de uma mãe que chegou a criar contas privadas em aplicações para expor conteúdo exclusivo da filha menor. Tudo isto por dinheiro, mais visualizações e mais gostos. “Enquanto tem número tem show, enquanto tem show está tudo bem. Mais público de homens pedófilos”, alerta Felca.
A mesma opinião tem a psicóloga Catarina Lucas, que aconselha a um maior controlo pelos pais das crianças, de forma a protegê-las dos riscos que a exposição na internet pode causar. “É uma tendência que tem vindo a aumentar. A adultização e mesmo a sexualização das nossas crianças. Devíamos era preservar a infância delas”, aponta a psicóloga. Catarina Lucas fala dos perigos associados aos conteúdos com menores na internet para as próprias crianças. “Seguramente, em termos de desenvolvimento de competências, de habilidades de socialização e até de saúde mental, há aqui muitos perigos e riscos."
A repercussão do vídeo do youtuber Felca já chegou ao Congresso brasileiro, que discute agora sete projetos de lei sobre a proteção dos menores na internet.
Em Portugal, o vídeo também já teve algumas reações por parte de famosos, como o humorista Nuno Markl. “O vídeo de Felca […] centra-se no que está a acontecer nas redes sociais [...] denunciando a exploração dos corpos de menores em redes sociais. Fala de questões [...] que devem fazer refletir pais do mundo inteiro”, escreveu, nas redes sociais.
Recorde-se que, por cá, também houve um escândalo associado à exposição de crianças na internet, com o Team Strada. Hugo Strada, mentor do projeto, foi alvo de denúncias, em 2019, por alegados comportamentos excessivos e até crimes sexuais com adolescentes nas redes sociais. O caso acabou arquivado em 2021.