O ministro das Finanças reagiu esta sexta-feira à polémica com a TAP, empresa que indemnizou a agora ex-secretária de Estado do Tesouro em 500 mil euros. Alexandra Reis acabou demitida por Fernando Medina, ao que se seguiu também a queda do ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos.

Questionado pelos jornalistas se este caso, aliado ao da nomeação de Sérgio Figueiredo para consultor do Ministério das Finanças, lhe retirava legitimidade, Fernando Medina disse apenas que não era o titular da pasta das Finanças quando a indemnização de Alexandra Reis foi negociada.

“Eu não ocupava nenhuma função governativa quando esta decisão da TAP é tomada”, afirmou, lembrando que era ainda João Leão o ministro das Finanças. "O que fiz foi a minha obrigação", acrescentou, dizendo que esta situação colocava em causa a autoridade política do Ministério das Finanças. Voltando às responsabilidades do ministro das Finanças, Fernando Medina admite que normalmente a tutela teria de saber, mas voltou a garantir que neste caso isso não aconteceu, deixando depois críticas à TAP: "Não é obviamente adequado que uma empresa que tem uma tutela financeira que é o Ministério das Finanças tenha uma decisão com este tipo de impacto e não seja do conhecimento do Ministério das Finanças".

Questionado sobre a razão da nomeação de Alexandra Reis, Fernando Medina defendeu a gestora, elencando o seu currículo, nomeadamente no setor privado. Sobre a avaliação do percurso na TAP, vincou, "não sabia dessa situação aquando da nomeação", referindo que tinham passado vários meses desde a negociação da indemnização.

"Este facto não era conhecido, e como não era conhecido não foi avaliado", acrescentou, dizendo que no Governo Pedro Nuno Santos era o único que sabia da indemnização.

Sobre a confiança na administração da TAP, nomeadamente na presidente, Fernando Medina remeteu para o inquérito que já decorre na Inspeção-Geral das Finanças, e que vai avaliar todo o processo da indemnização concedida a Alexandra Reis. Esse mesmo inquérito servirá também para apurar a eventual necessidade da devolução dos 500 mil euros, sendo que, segundo o ministro, o caso é maior do que isso. "Foi um problema que considero sério, o facto de o país e os portugueses, num momento de dificuldades, a manifesta incompreensão com a desproporcionalidade entre os rendimentos na sociedade portuguesa  e indemnizações pagas por uma empresa pública", reiterou.

Medina fala em ataque pessoal

À data da negociação da indemnização a diretora jurídica da TAP era Stéphanie Sá Silva, mulher de Fernando Medina. No entanto, a profissional estava em licença de maternidade no início do ano, pelo que não estava a trabalhar quando a indemnização foi acordada.

O ministro das Finanças lembrou precisamente isso, dizendo que "a minha mulher não estava na TAP em fevereiro", acrescentando que, quando Fernando Medina assumiu funções como ministro das Finanças, Stéphaine Sá Silva renunciou ao seu cargo.

"Passado estes dias todos eu registo que essa campanha que é procurar atingir-me através da minha mulher, esse movimento continua por parte de partidos políticos, comentadores e jornalistas", afirmou, acusando quem diz que a sua mulher estava em funções na altura de mentir.

"Não é assim que me vão derrotar. A esses ataques vamos responder com elevação", terminou.

"Mensagem de reconhecimento"

O ministro das Finanças, Fernando Medina, afirmou ainda que transmitiu a Pedro Nuno Santos uma “mensagem de reconhecimento” pela “qualidade” do trabalho desenvolvido em conjunto nos últimos meses.

“Tive também a oportunidade, e quero deixá-lo publicamente, de transmitir uma mensagem de reconhecimento ao ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, e à sua equipa pela qualidade do trabalho que pudemos desenvolver em conjunto ao longo destes meses que estivemos no Governo e que ocupámos pastas que obrigam a um trabalho próximo”, declarou o governante.

António Guimarães