A Câmara do Seixal e a Junta de Freguesia de Fernão Ferro acusaram este sábado a Associação de Proteção Civil APROSOC de “difamar e denegrir” as autarquias ao responsabilizá-las pela morte dos dois idosos devido à depressão Cláudia.
“Lamentam ainda as duas autarquias que, numa altura em que se vivem perdas humanas e materiais devido aos efeitos da tempestade Cláudia e das chuvas intensas, existam entidades que venham difamar e denegrir o trabalho de quem está diariamente no terreno a trabalhar em prol dos seus munícipes”, lê-se numa nota enviada à agência Lusa.
Na sexta-feira, a APROSOC responsabilizou a Câmara do Seixal e a freguesia de Fernão Ferro, no distrito de Setúbal, pela morte de dois idosos, na quinta-feira, nas cheias no concelho, defendendo que devem ser julgadas "por omissões grosseiras”.
Este sábado, as autarquias lamentam que, “embora as causas do sucedido ainda não tenham sido apuradas, tenhamos quem considere falar sobre as mesmas, sem qualquer sentido de responsabilidade e de rigor”.
Reafirmando que lamentam a morte dos dois idosos, a Câmara do Seixal e a Junta de Freguesia de Fernão Ferro agradecem “todo o trabalho que as forças de segurança, bombeiros e a proteção civil têm vindo a realizar em prol da população, numa altura em que se abateu sobre o país uma tempestade de efeitos muito graves e que, com grande esforço, deram a melhor resposta possível às inúmeras ocorrências”.
Numa nota divulgada na sexta-feira, a APROSOC afirma-se convicta de que “a recente morte de dois idosos dentro de casa, durante as cheias e inundações na freguesia de Fernão Ferro, concelho do Seixal, tem como principais responsáveis o executivo municipal do Seixal e da junta de freguesia de Fernão Ferro”.
A associação acusa as duas autarquias de “inércia e inépcia” no âmbito das suas responsabilidades “no âmbito do ordenamento do território que possibilitou a existência daquela habitação em situação de risco, aparentemente sem avaliação geotécnica e hidrológica”.
Entre as competências municipais que considerou não terem sido cumpridas estão também as de prevenção dos riscos coletivos do município, análise permanente das vulnerabilidades municipais perante situações de risco e estudo e divulgação de formas adequadas de proteção dos edifícios em geral e dos recursos naturais existentes no município.
A associação considerou ainda que o executivo municipal eximiu-se das suas atribuições nos domínios da sensibilização e informação pública junto dos munícipes sobre medidas preventivas e condutas de autoproteção, assim como de difundir, na iminência ou ocorrência de acidentes graves ou catástrofes, as orientações e procedimentos a ter pela população para fazer face à situação.
Um casal, com mais de 80 anos, morreu na quinta-feira em Pinhal de General, na freguesia de Fernão Ferro, depois de a casa ter ficado inundada devido à chuva forte que caiu durante a madrugada.
Em declarações então à agência Lusa, o presidente da Câmara do Seixal adiantou que a habitação, construída numa Área Urbana de Génese Ilegal (AUGI), “clandestinamente, sem qualquer licenciamento camarário”, está junto a uma linha de água, estando em curso o processo para a construção das infraestruturas e regularização das linhas de água.
A AUGI do Pinhal do General, explicou, é a maior do concelho do Seixal e uma das maiores do país, com três mil lotes, estando a zona identificada na cartografia de riscos.
Na quinta-feira, o distrito de Setúbal esteve em alerta vermelho devido à depressão Cláudia, que está desde quarta-feira a afetar o território continental e a Madeira, com precipitação intensa, acompanhada de trovoada e granizo, tendo já provocado três mortos, prejuízos avultados e derrube de estruturas e árvores.