Wenger demarca-se de Infantino e defende «FIFA independente» - TVI

Wenger demarca-se de Infantino e defende «FIFA independente»

Espanha-Inglaterra (Foto: UEFA via Getty Images)

Diretor de desenvolvimento da FIFA desconhecia o polémico projeto de abrir as competições a investidores privados

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Arsène Wenger, diretor de desenvolvimento global da FIFA, garante que não participou no projeto de Gianni Infantino para abrir as competições a investidores privados, mas considera que foi «absolutamente necessário» colocar um travão a essa iniciativa, defendendo um organismo «independente».

«A decisão de retirar o projeto foi absolutamente necessária», afirmou o antigo treinador, em comunicado, acrescentando que acredita «firmemente numa FIFA independente, que sirva o futebol com compromisso, transparência e integridade».

O antigo treinador do Arsenal, que integra a FIFA desde 2019, assegurou igualmente que não esteve envolvido na iniciativa e que apenas tomou conhecimento da proposta através da comunicação social.

A FIFA anunciou, entretanto, na sexta-feira o abandono do projeto, três dias após a sua apresentação oficial, com o presidente do organismo, Gianni Infantino a justificar a decisão com as divisões geradas em torno da iniciativa.

O plano previa a criação da FIFA Forward Enterprise, uma subsidiária destinada a gerir os ativos comerciais e eventos da FIFA, incluindo o Campeonato do Mundo, através da venda de 20 por cento do capital a investidores privados.

A organização pretendia captar, desta forma, até 4,2 mil milhões de dólares (3,65 mil milhões de euros), atribuindo à nova empresa uma avaliação de 20 mil milhões de dólares.

A FIFA negou que o Mundial estivesse à venda e sustentou que a iniciativa apenas avançaria com o apoio da maioria das suas 211 federações-membro, prevendo reforçar o financiamento distribuído através do programa FIFA Forward.

A proposta continua a enfrentar forte oposição tendo levado quatro federações, todas europeias, a retiraram seu apoio à reeleição de Infantino: Finlândia, País de Gales, Sérvia e Suécia.

Presidente da FIFA desde 2016 e reeleito sem oposição em 2019 e 2023, Infantino não tem até ao momento candidatos assumidos contra si na corrida eleitoral, cujo prazo para submissão de candidaturas termina a 18 de novembro.

Até ao surgimento da polémica, Infantino contava com o apoio da maioria das 211 federações filiadas.

Também a UEFA que declarou ter perdido a confiança no presidente da FIFA, diz estar a equacionar avançar com ações legais ou recorrer à arbitragem contra a tentativa de criação do projeto, tendo já exigido formalmente à FIFA a preservação de toda a documentação física e eletrónica associada.

As criticas internas ao projeto defendido por Infantino tem-se multiplicado.

Na terça-feira, num e-mail enviado aos funcionários a que a France Presse teve acesse, o secretário-geral do organismo, Mattias Grafström, lamentou a «série de eventos tristes e repreensíveis» que culminaram no cancelamento.

A polémica já motivara a demissão do principal assessor da presidência, Carlos Cordeiro, que se declarou «categoricamente» contra a medida.

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