Um homem de 95 anos surpreendeu toda a família ao casar-se com a própria filha, de 68. Aconteceu a 18 de março.
O casamento foi oficializado no registo civil de Guimarães. Manuel, viúvo desde 2024, vive com a filha Maria em Celorico de Basto, no distrito de Braga. Recebe uma pensão entre os 2.500 e os 3.000 euros, fruto de uma vida de trabalho como emigrante em França, além do que conseguiu juntar.
O caso foi tornado público pelos irmãos da mulher, que já apresentaram queixa ao Ministério Público. A família acredita que Maria “orquestrou” o casamento apenas para garantir o controlo da reforma e do património do pai, que completa 96 anos no final do verão. Pedem a anulação do matrimónio e que sejam dadas explicações sobre como foi possível a conservatória autorizar o casamento sem perceber que se tratava de pai e filha.
Não é caso único: o milionário de Bragança e a empregada
Este não é o primeiro casamento em Portugal a levantar suspeitas de aproveitamento financeiro. Em 2017, numa aldeia de Bragança, Rita, uma empregada doméstica de 52 anos, casou-se com Francisco Marcolino, o seu patrão de 101 anos.
Logo após o casamento, foi feito um testamento que tornava Rita herdeira de metade dos bens do idoso, avaliados em cerca de um milhão de euros.
“Quem aturou o Francisco toda a vida fui eu, não foram os filhos. Eles é que andam com interesses do dinheiro dele, não sou eu. Nunca se preocuparam se é preciso ir ao médico, se era preciso fazer alguma coisa mais, ninguém se preocupou, só eu”, disse na altura a mulher, para se defender das críticas da família do idoso - que alegava que Francisco sofria de demência desde 2011.
O casamento aconteceu no registo civil de Ribeira de Pena, a mais de 150 km de casa, e no mês seguinte viajaram até Vieira do Minho para fazer o testamento. Pouco depois, o homem morreu e o caso avançou para tribunal.
Em setembro de 2018, o Tribunal de Bragança anulou o testamento. No ano seguinte, anulou também o casamento. No entanto, só em 2024 é que ficou provado que a união foi possível graças a atestados falsos assinados por dois psiquiatras, que garantiram que Francisco estava nas suas plenas capacidades mentais.
Rita foi condenada a 2 anos e 8 meses de pena suspensa por sequestro, uma vez que tirou o idoso da sua área de residência sem autorização da família, e a uma multa de 840 euros por ter recorrido a atestados falsos. Os dois psiquiatras também foram condenados a pagar multas entre seis e oito mil euros.