A Federação Internacional do Automóvel (FIA) confirmou, esta segunda-feira, várias alterações aos regulamentos da Fórmula 1 de 2026, que vão já produzir efeitos no Grande Prémio de Miami, entre 1 e 3 de maio, a quarta ronda do Mundial desta época.
Os ajustes foram feitos em aspetos que vão desde a qualificação até à corrida, passando pelo arranque da corrida, bem como situações de chuva, que tocam na segurança e visibilidade dos pilotos. Surgem após acordo numa reunião online entre a FIA, chefes de equipa, diretores-executivos dos fabricantes das unidades de potência e a Formula One Management (FOM) – a gestão da F1 –, esta segunda-feira.
As alterações foram aprovadas após consultas e conversas, nas últimas semanas, entre a FIA, representantes técnicos e pilotos da Fórmula 1, tendo por base os dados das três primeiras provas de 2026, realizadas na Austrália, na China e no Japão. Acontecem numa altura de paragem no campeonato, fruto dos cancelamentos das provas no Bahrein e na Arábia Saudita (ambos seriam em abril), devido à guerra no Médio Oriente.
As propostas aprovadas vão ser já implementadas quase na íntegra em Miami, à exceção das alterações que incidem na largada da corrida, que têm em Miami apenas um teste e só depois poderão ser adotadas em definitivo, mediante análise e feedback dos intervenientes. «Estas propostas finais serão agora submetidas a uma votação eletrónica do Conselho Mundial de Desporto Motorizado da FIA, com vista à sua implementação antes do Grande Prémio de Miami, a 3 de maio, com exceção das propostas relativas às largadas, que serão testadas e analisadas durante esse fim de semana», detalha a FIA, em comunicado.
Confira, ao detalhe, as alterações confirmadas nas quatro partes em questão:
Qualificação
- Ajustes nos parâmetros de gestão de energia, incluindo uma redução na recarga máxima permitida de 8 MJ (megajoules) para 7 MJ. Visam reduzir o consumo excessivo de energia e incentivar uma condução mais consistente em velocidade máxima. Essa alteração tem como objetivo reduzir a duração máxima do superclip para aproximadamente dois a quatro segundos por volta.
- A potência máxima do Superclip aumentou para 350 kW (quilowatt), ante os 250 kW anteriores, reduzindo ainda mais o tempo de recarga e a carga de trabalho do piloto na gestão de energia. Isso também será aplicado em condições de corrida.
- O número de eventos em que podem ser aplicados limites alternativos de energia mais baixos foi aumentado de oito para 12 corridas, permitindo uma maior adaptação às características do circuito.
Corrida
- A potência máxima disponível através do Boost em condições de corrida está agora limitada a +150 kW (ou ao nível de potência atual do carro no momento da ativação, se superior), limitando as diferenças repentinas de desempenho.
- A potência do MGU-K é mantida em 350 kW nas principais zonas de aceleração (da saída da curva até ao ponto de travagem, incluindo as zonas de ultrapassagem), mas será limitada a 250 kW noutras partes da volta.
- Estas medidas visam reduzir as velocidades de aproximação excessivas, mantendo as oportunidades de ultrapassagem e as características gerais de desempenho.
Largada da corrida
- Foi desenvolvido um novo sistema de “deteção de arranque de baixa potência”, capaz de identificar carros com aceleração anormalmente baixa logo após a libertação da embraiagem.
- Nestes casos, é acionada automaticamente a entrega do MGU-K para garantir um nível mínimo de aceleração e mitigar os riscos relacionados aos arranques, sem introduzir qualquer vantagem desportiva.
- Está a ser introduzido um sistema de alerta visual associado, que ativa luzes intermitentes (traseiras e laterais) nos veículos afetados para alertar os pilotos que seguem atrás.
- Também foi implementado um reinício do contador de energia no início da volta de formação, para corrigir uma inconsistência do sistema previamente identificada.
Condições de chuva
- As temperaturas dos cobertores aquecimento dos pneus intermédios foram aumentadas com base no feedback dos pilotos, para melhorar a aderência inicial e o desempenho dos pneus em piso molhado.
- A entrega máxima do ERS [ndr: sistema de recuperação de energia] será reduzida, limitando o binário e melhorando o controlo do carro em condições de baixa aderência.
- Os sistemas de iluminação traseira foram simplificados, com sinais visuais mais claros e consistentes, para melhorar a visibilidade e o tempo de reação dos pilotos que seguem atrás em condições adversas.