Da "demissão" à "decapitação". Manifestações do 1º de maio em Paris marcadas por violência - mais de 290 detidos e 108 polícias e guardas feridos - TVI

Da "demissão" à "decapitação". Manifestações do 1º de maio em Paris marcadas por violência - mais de 290 detidos e 108 polícias e guardas feridos

  • CNN Portugal
  • DCT
  • 1 mai 2023, 19:07

Milhares de pessoas saíram às ruas de Paris para a manifestação do 1º de maio, mas o cenário acabou por ser de violência. Mais de 290 pessoas já foram detidas em todo o país e há, pelo menos, 108 polícias e guardas feridos

Uma estátua com uma camisola onde se lê “demissão Macron” e um graffiti com “decapitação Macron”. O presidente francês foi o principal alvo de críticas na mais recente manifestação que levou milhares às ruas de Paris, num forte tom de contestação que acabou por dar azo a vários episódios de violência.

Ao todo, conta o Le Parisien, foram detidas pelo menos 290 pessoas em todo o país e mais de 108 polícias e guardas ficaram feridos nos confrontos contra os manifestantes que se juntaram em várias ruas francesas em mais um protesto contra o aumento da idade da reforma e que coincidiu com as marchas do 1º de Maio, Dia do Trabalhador.

Segundo a imprensa francesa, Paris foi a cidade com maior adesão, mas também com maior tensão entre manifestantes e autoridades. Pelo menos 90 pessoas foram detidas durante os protestos na capital francesa e o cenário de destruição é vasto, sobretudo na Praça da Nação, onde várias montras foram destruídas e os vidros ficaram espalhados pelo chão. Mas esta praça icónica foi ainda palco de confrontos e a polícia teve de agir com gás lacrimogêneo e canhões de água.

O ministro do Interior, Gérard Damanin, revela que, pelo menos, um polícia ficou gravemente ferido em Paris, tendo ficado “queimado após o arremesso de um cocktail molotov”.

Ainda na capital francesa, além de lojas e montras atacadas, vários carros, motas e bicicletas foram incendidados e ainda foi posto fogo num prédio em obras, tendo dado origem a um incêndio de grandes dimensões.

Mas não foi apenas em Paris que o cenário de violência tomou conta dos protestos. Conta o Le Monde que em Nantes, onde se juntaram mais de 80 mil pessoas, um manifestante ficou gravemente ferido numa mão e pelo menos 29 pessoas foram detidas. Só em Nantes foram assistidas mais 23 pessoas por ferimentos. Em Lyon, diz o Le Figaro, vários incidentes e episódios de violência marcaram a tarde, tendo sido detidas 40 pessoas. Pelo menos quatro carros foram incendiados em plena via pública.

A primeira-ministra Elisabeth Borne considerou “ inaceitáveis ” as “ cenas de violência ” à margem das manifestações de 1 de Maio.

Também Marine Le Pen condenou a violência, sobretudo contra as autoridades, tendo escrito no Twitter que “não estamos mais a enfrentar a violência, mas sim tentativas de assassinato contra a polícia”.

Quanto à adesão a esta manifestação, que, mais uma vez contesta o aumento da idade mínima de reforma para os 64 anos, os números são díspares entre o governo e os sindicatos. O Ministério do Interior de França diz que se juntaram 782 mil pessoas nas ruas de França, sete vezes mais do que no ano passado. A CGT vai mais longe e diz que foram mais de 2,3 milhões aqueles que saíram às ruas.

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