A ministra da Presidência revelou que os projetos-piloto para a semana de quatro dias de trabalho que estão a ser desenvolvidos no sector privado terão paralelo na administração pública."Estamos a trabalhar com o Ministério do Trabalho para podermos desenvolver um projeto semelhante", disse ao jornal Público Mariana Vieira da Silva.

A governante disse ainda que há organismos públicos que já demonstraram interesse em aderir a esta modalidade, ainda que a metodologia possa ser diferente consoante a entidade em questão. "Há um trabalho transversal sobre a organização do tempo do trabalho que tem múltiplas dimensões, do teletrabalho à semana dos quatro dias, que me parece ser uma agenda fundamental para os próximos tempos e também negocial", frisou Mariana Vieira da Silva. "A nossa ambição é, a par do que vai acontecer no sector privado, também fazer um trabalho na administração pública com algumas diferenças, porque temos muitos serviços que não são compatíveis com esse tipo de organização do tempo de trabalho", explicou a ministra. 

Em entrevista ao Público, Mariana Vieira da Silva destacou ainda que o Governo "foi o mais longe possível para privilegiar os salários mais baixos" da função pública no próximo ano, admitindo que só há margem para acelerar o ritmo de revisão da tabela remuneratória dos técnicos superiores e dos assistentes operacionais com mais anos de serviço.

Sobre a distribuição das verbas do Plano de Recuperação e Resiliência - até agora só foram pagos 854 milhões dos 3.300 milhões de Bruxelas -, a ministra explica que "ao contrário do que acontece noutros fundos em que a execução é medida através das transferências financeiras, a execução é medida através das metas e dos indicadores acordados com a Comissão Europeia", que são verificados duas vezes por ano. "A Comissão Europeia está a avaliar o segundo pedido de desembolso que fizemos", revelou.

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