É história atrás de história! Depois de ter fechado a época passada com a primeira Taça de Portugal do seu palmarés, o Torreense conquista pela primeira vez a Supertaça feminina de futebol, perante um Benfica que tornou a permitir uma reviravolta numa final. Já tinha sido assim que perdeu a Supertaça e a Taça de Portugal, na época passada.
Ainda muita gente procurava o seu lugar no Estádio Coimbra da Mota (estiveram cerca de quatro mil pessoas nas bancadas) e o Benfica já festejava o 1-0. Em apenas 27 segundos, as encarnadas desenharam o lance que Diana Silva, solta ao segundo poste, concluiu com eficácia.
A antiga avançada do Sporting foi uma das caras novas, a par de Diana Gomes, no primeiro onze em jogos oficiais de Ivan Baptista, o novo treinador do Benfica, que abordou o jogo num 4-2-3-1 que pedia grande mobilidade no ataque, com Diana Silva e Chandra Davidson em constantes permutas na posição mais adiantada e Lúcia Alves no papel de extrema pela direita.
Só que a postura destemida do Torreense, que o golo sofrido prematuramente não condicionou, rapidamente começou a criar problemas às encarnadas, que viam o desconforto aumentar à medida que a equipa de Torres Vedras conseguia roubar mais bolas em zonas adiantadas do terreno.
A condicionar as saídas desde trás do Benfica num 4-4-2 com um losango no meio-campo que ganhava amplitude sempre que a bola chegava às alas, o Torreense provocou muitos erros ao adversário e aproveitou as bolas paradas para virar o marcador.
Aos 11m, a reforço Gerda Konst fez o 1-1, de cabeça, num lance iniciado num pontapé de canto, e aos 37m Jesi, que tinha assistido para o golo do empate, completou a reviravolta, após um livre batido por Paloma que a guarda-redes do Benfica, Lena Pauels, não conseguiu resolver.
Apesar das dificuldades denotadas nos momentos com bola, o Benfica ainda celebrou o 2-2 antes do intervalo, por Lúcia Alves após uma das melhores jogadas coletivas de toda a primeira parte. Porém, o lance foi invalidado devido a um fora de jogo de Diana Silva no início de um lance que surgiu pouco depois de uma bola devolvida pela barra da baliza do Torreense, atirada por Marit Lund.
No reatamento, o Benfica procurou aplicar a receita com que o Torreense “assaltou” a primeira parte. Subiu os níveis de intensidade, pressionou alto com vigor e quase empatou aos 50m, quando Janny voou para travar um remate de Beatriz Cameirão.
Do banco das Águias saltaram Cristina Martín-Prieto, melhor marcadora da última edição da Liga feminina, e a ex-Real Madrid, Caroline Moller, mas o Torreense, sempre em rotação alta, foi capaz de reequilibrar o jogo e levá-lo, novamente, para zonas que mais lhe convinham.
Foi assim até à derradeira meia hora da partida, altura em que o Benfica intensificou a pressão em busca de um golo salvador. Aos 71m, num livre à entrada da área do Torreense, Marit Lund fez a bola passar muito perto da baliza adversária e, em cima do minuto 90, Diana Gomes acertou na barra, num lance que pareceu controlado por Janny.
Pelo meio, Daniuska ficou muito perto do 3-1 num remate de fora da área, mas para o Torreense o mais importante foi conseguido. Ao guardar a vantagem mínima até ao apito final (que soou apenas aos 90+13m), pôde festejar a conquista da Supertaça, em mais um momento histórico para o clube centenário de Torres Vedras.