Rui Borges: «Goleada? Não podemos ficar grandões» - TVI

Rui Borges: «Goleada? Não podemos ficar grandões»

Treinador do Sporting mostrou-se muito satisfeito com o comportamento da equipa diante do AVS. Disse que a sua equipa «é a melhor a jogador futebol» mas recordou que não é a melhor na tabela

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Declarações de Rui Borges, treinador do Sporting, em conferência de imprensa após a vitória por 6-0 frente ao AVS, numa partida a contar para a 14.ª jornada:

Bons indicadores

«A equipa tem estado bem e tem continuado a crescer. Tem dado resposta, tem evoluído, tem crescido. Em termos coletivos, também, com algumas mudanças, mas mesmo assim, a equipa tem dado resposta. Tirando os primeiros 15 minutos do jogo, em que a equipa entrou com um ritmo morno, muito parada, o adversário também estava a tentar interromper o jogo. Cada lançamento, cada bola... um pontapé de baliza, uma falta, demorou-se muito. Tentaram logo adormecer um pouco o jogo, não nos deixando entrar num ritmo alto. Tirando esses 15 minutos e os últimos 15, acima de tudo, falhámos muito em passes. Por vezes, por ver as coisas tão fáceis, falhámos muitos passes simples e rápidos. Tínhamos de ser mais incisivos e, depois, sim, ter intensidade no jogo. Acaba por ser difícil, por estar 5-0. Tirando isso, durante o resto do tempo, a equipa foi competente, foi dinâmica. Acabou por desbloquear logo no primeiro golo, depois foi sempre atrás de mais. Fico feliz pela resposta que a equipa tem dado.»

Sporting é a melhor equipa a praticar futebol?

«Para mim, a minha equipa é sempre a melhor. As opiniões são para vocês. Na minha opinião, a minha equipa é a melhor. E tem demonstrado ser a melhor. Não somos os primeiros, por isso, se calhar, há quem seja melhor que nós. Naquilo que é o nosso entendimento, qualidade de jogo, dinâmica, intensidade, rigor, a equipa está unida, com energia, à procura de mais. O que é ganhar, o que é jogar, o que é vencer. Portanto, com dinâmica, com qualidade de jogo, no processo ofensivo, no processo defensivo, temos evoluído. Por isso, para mim, a minha equipa é sempre a melhor. São sempre os melhores.»

Catamo e Diomande fora da Taça

«À partida, não contaremos com eles.»

Goleada? Não podemos ficar grandões

«A goleada são só três pontos. Não podemos também ficar grandões. São apenas e só três pontos. Na nossa caminhada, fomos sérios, como disse, rigorosos. Poderia ser difícil ligar a equipa depois de dois jogos de exigência máxima contra dois grandes adversários. Ligar a equipa para jogar em casa, contra o último classificado. Mentalmente, às vezes, pode ser difícil, pode passar do 80 para o oito, digamos assim, entre aspas. E às vezes isso é a parte mais difícil para nós, para mim, como treinador, manter os jogadores ligados. Se calhar, até as mudanças foram importantes nesse sentido. Jogadores com uma energia muito boa, muito alta, com vontade de jogar, com vontade de mostrar o que sabem, para manter a equipa ligada durante o jogo todo.»

Suárez está confiante

«O Luís está em boa forma. Mas penso que ele está a fazer um bom início de época. O Luís também consegue, porque a equipa, o coletivo, está bem nesse sentido. E a equipa consegue também valorizar o Luís, como a outros jogadores. O Geny [Catamo] também fez dois golos. O Maxi [Araújo], que jogou noutra posição, fez dois golos. Por isso, acho que, acima de tudo, devemos valorizar o coletivo. Claro que o coletivo vai sempre se sobrepor, mesmo que um ou outro jogador se destaque. Agora foi o Luís, o jogador do mês foi o Trincão. E isso é sinal de que todos estão ligados, que estão todos na mesma sintonia. E é importante valorizar o crescimento coletivo da equipa. Por isso, para mim, é sempre o coletivo. Claro que o Luís é sempre um jogador importante, é um avançado. E para ele também, para ele ganhar essa confiança, chegou agora, num ano em que o Sporting foi bicampeão, o avançado [Gyökeres] foi o melhor marcador, com muitos golos. É importante ele ter essa confiança para continuar a dar seguimento ao poder ofensivo do Sporting ao longo destes últimos anos.»

Matheus Reis segue-se nas renovações?

«Não, eu não me meto muito nesse papel. São questões mais para a estrutura. Eles sabem o que queremos para o futuro do Sporting. O Matheus tem sido um jogador muito importante e vai continuar a ser. Pela sua experiência, mas também pela sua personalidade e carácter, é muito importante. A energia que ele transmite, seja a jogar de início ou entrando durante o jogo, é muito positiva. É um jogador muito importante para o grupo, é muito respeitado. É um jogador de que todos gostamos muito.»

Ioannidis na posição de Pedro Gonçalves?

«Vamos tentando e treinando algumas coisas diferentes. Mas acho que eles vão dar todas as respostas. O Maxi vai dar a resposta, o Alisson vai dar a resposta. O Quenda, quando jogou, deu a resposta. O Fotis [Ioannidis], quando jogava, também dava a resposta. Mas, acima de tudo, o que é importante é olhar para eles e senti-los com vontade de ajudar, independentemente da posição. Independentemente dos minutos que joguem, eles estão ligados, querem ajudar, percebem o que têm de fazer em cada posição dentro do coletivo. E isso, para mim, deixa-me feliz. Vejo-os focados em querer que o coletivo sobressaia primeiro e, depois, sim, virá o brilho individual.»

Balanço do ano

«Claramente, sou um melhor treinador. E, claramente, o Sporting é uma melhor equipa. Em relação àquilo que era o meu Sporting, acho que sim, é uma melhor equipa. Claramente, tem mais a minha marca. Tem mais tempo de trabalho. Por isso, logicamente, acredito que seja a melhor equipa. Agora, o futuro dirá. Porque, apesar de tudo, para mim, não são só os resultados que ditam o melhor. Infelizmente, às vezes, não conseguimos o que queremos. E não há ninguém que ganhe sempre, por isso. Agora, claramente, acho que é uma melhor equipa, porque há mais da minha marca como treinador. E o Rui Borges, claramente, é um melhor treinador. Claro, é um desafio enorme, diferente de todos aqueles que já tive. E fez-me ver as coisas de uma forma diferente. Faz-me crescer, claramente. Mas o crescimento de um treinador é contínuo. Mas, claramente, sinto que evoluí muito mais.»

Superioridade em ataque organizado

«O ataque organizado é porque definimos, dentro daquilo que é a estratégia do adversário, dentro da nossa ideia de jogo, pequenos comportamentos para ganharmos superioridades. E, depois, claro, ganhámos em cima do trabalho individual. Temos grandes jogadores, predestinados, com muita qualidade. E, às vezes, é a qualidade individual que desbloqueia. Tentamos, também, buscar pequenos pormenores. Por exemplo, como íamos jogar com o Ioannidis. Conseguimos colocar o Geny [Catamo] mais por dentro, aplicar a linha defensiva. Sabíamos que a esquerda do AVS não acompanhava. E fizemos essa movimentação. Ganhámos mais largura com isso, o nosso jogo interior tem sido muito forte, difícil de marcar. E, claro, a qualidade individual de cada jogador. Em relação ao Maxi [Araújo], o Maxi dá coisas diferentes ali. Porque o Maxi pica muito a linha defensiva. E nós sabemos que ele é muito agressivo a fazer diagonais, a provocar a linha defensiva do adversário. E nós precisávamos disso. E íamos ter a largura, é certo. Mas precisávamos que o Maxi tenha uma intensidade própria, tenha uma agressividade própria a atacar a baliza, a atacar a área. E nós precisávamos meter gente agressiva no processo ofensivo de ataque à baliza. E o Maxi dá um bocado dessa agressividade ofensiva. É intenso, vai à procura da bola, vai sempre. E dá-nos isso. Em alguns momentos faz golo por causa disso, ataca a zona da área. E nós sabíamos que ele nos dá isso. Era importante ter essa malta, esse pessoal que é mais agressivo tentarem para tentarmos ali num laço, como aconteceu, fazer mais golos. Defender a cinco, com algumas dificuldades também no processo de levar com bolas nas costas, acabamos por fazer um golo nesse sentido também. E o Mangas dá-nos essa capacidade. Tem essa aceleração, é muito vertical. E acabamos por fazer um gol nesse sentido. Por isso, com pequenos pormenores, criar algumas dificuldades e deixar a linha ofensiva do AVS desconfortável. Felizmente conseguimos. É muito por aí.»

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