Imagens revelam que adjunto de ex-ministra da Justiça teve cúmplice no abuso filmado de uma criança - TVI

Imagens revelam que adjunto de ex-ministra da Justiça teve cúmplice no abuso filmado de uma criança

Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa suspende vínculo com Paulo Abreu dos Santos

EXCLUSIVO CNN PORTUGAL / TVI || Foi o IP do computador que Paulo Abreu Santos usava no Ministério da Justiça entre 2023 e 2024 que deu o alerta às autoridades norte-americanas sobre a partilha de conteúdo sexual com menores

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“Kids boys only”, “vídeos caseros reales de chicos”, “Kids club” ou “mundo de la fantasia” são alguns dos 13 grupos da rede social Signal de que fazia parte Paulo Abreu dos Santos – e nos quais o advogado partilhava conteúdos de pedofilia com outros predadores espalhados pelo mundo. Quando a PJ entrou na casa, em Corroios, na Margem Sul, onde vivia o adjunto da ex-ministra da Justiça Catarina Sarmento e Castro, encontrou 572 ficheiros de conteúdos chocantes armazenados em dois telemóveis, três discos externos e duas pen drives. Há ainda outros quatro vídeos, produzidos pelo próprio, de abusos a duas crianças e numa das situações teve a cumplicidade de outro homem – que é agora procurado pela Judiciária.

No despacho do juiz de instrução, que colocou Paulo Abreu dos Santos em prisão preventiva e ao qual a TVI e a CNN Portugal tiveram acesso, há descrições de imagens e diálogos referentes a crianças com apenas 4 anos. Em causa estão "(...) ficheiros de imagens internacionais e vídeos de sexo explícito, tudo com crianças entre os quatro e os 14 anos". "Duas delas, de 10 anos, são portuguesas."

No caso dos abusos que praticou diretamente, pode ler-se que "o arguido detinha vários vídeos e fotogramas dos quatro vídeos produzidos pelo próprio, com dois menores de idade inferior a catorze anos, por ora ainda não identificados."

Foi o IP do computador que usava no Ministério da Justiça, entre 2023 e 2024, que deu o alerta de partilha de conteúdo sexual com menores às autoridades norte-americanas: Paulo Abreu Santos acedeu a vídeos de pornografia no Ministério, onde foi alto quadro durante o mandato da ministra Catarina Sarmento e Castro. 
"Atuou, sempre, com o propósito de, deste modo, satisfazer a sua libido e os seus instintos sexuais", lê-se.

O inquérito, liderado pela procuradora Felismina Carvalho Franco, do DIAP de Lisboa, decorre em articulação com a unidade de combate ao cibercrime da PJ, e levou para já à detenção do conceituado advogado, que passou por sociedades como a PLMJ.

A TVI e CNN Portugal sabem que, perante o juiz, Paulo Abreu Santos chorou e assumiu parte dos factos. Está em isolamento, na cadeia anexa à PJ, numa cela sem contacto com outros reclusos, mas vai aguardar julgamento no estabelecimento prisional da Carregueira, onde há uma ala própria para suspeitos de crimes sexuais. 

O antigo adjunto do Ministério da Justiça está indiciado de dois crimes de abuso sexual de crianças, 572 de pornografia de menores e um crime de devassa da vida privada. Este último porque Paulo Abreu Santos também gravou atos sexuais com outros homens, à revelia dos mesmos: "(...) Sabia que ao instalar câmaras ocultas em balneários e casas de banho o fazia contra a vontade dos intervenientes, violando a sua intimidade (...)".

Há suspeitas de que o advogado atuasse em rede com outros predadores – e a PJ acredita que a sua detenção possa ser, apenas, a ponta do icebergue.

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